Negociação entre FMI e Argentina será longa
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sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De Buenos Aires 
''As negociações durarão vários dias''. Com estas declarações, ao entrar no edifício do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o vice-ministro da Economia da Argentina, Daniel Marx deixava claro que as negociações para obter uma ajuda extra do FMI que oscilaria entre US$ 6 bilhões e US$ 9 bilhões será uma tarefa dura, embora não impossível. O vice-presidente do Banco Central, Mario Blejer, que acompanha Marx, afirmou que a equipe econômica não realizará declarações até que as negociações estejam concluídas.
Enquanto isso, em Buenos Aires, o governo considera que a ajuda do FMI está garantida. Mas não se sabe quando ocorrerá. O próprio presidente Fernando de la Rúa admitiu ontem que não existem datas definidas sobre quando essa ajuda poderia ser oficializada.
''Certeza absoluta'', respondeu o secretário-geral da presidência, Nicolás Gallo, à pergunta sobre a possibilidade da ajuda do Fundo. Segundo ele, ''a comunidade internacional tomou a decisão de impedir que a especulação financeira vença a batalha''.
Simultaneamente, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, afirmou que não desvalorizaria a moeda nacional, o peso, nem suspenderia os pagamentos da dívida externa porque isso implicaria ''em institucionalizar a recessão e isolar a Argentina do resto do mundo''. Segundo Cavallo, ''resistiremos às pressões para desvalorizar ou um default''.
Diversos analistas consideram que em troca do apoio, o FMI poderia pedir a privatização dos estatais Banco de la Nación e do Banco de la Provincia de Buenos Aires, dois gigantes do setor financeiro argentino. No entanto, estas privatizações são rechaçadas por amplos setores da sociedade e do Congresso Nacional.
O economista da Fundação Capital, Guillermo Corzo, disse que a ajuda do FMI virá. ''Se observarmos os dados sobre os depósitos bancários, entre 4 de julho e 4 de agosto, veremos com exceção de um dia que houve quedas, em média de US$ 300 milhões diários. Não podemos permitir que esse mês de julho se repita em agosto''.


