Negociação é decisiva para o bloco
A conclusão das negociações entre Brasil e Argentina sobre o regime automotivo comum do Mercosul, na última quinta-feira, significou a remoção de uma trava que há muito causava ruído nas relações bilaterais.
Por conta disso, agora existe a expectativa de uma melhora geral do clima entre os sócios, embora a agenda da integração seja longa e cheia de
pontos de conflito.
‘‘Foi um passo decisivo para o chamado relançamento do Mercosul’’, disse diretora-geral da consultoria Arthur D. Little, a economista Beatriz Nofal. A falta do acordo automotivo causava tensão entre os dois sócios.
O setor automotivo representa cerca de 30% do comércio bilateral, sendo o maior segmento isolado e, portanto, de grande peso político. O acordo automotivo fixou as regras de comércio entre os dois países pelos próximos seis anos e prevê que, em janeiro de 2006, haverá livre comércio dentro do bloco para esse setor.
‘‘Acredito que muda o clima desde já, por ser o maior setor de comércio. Inclusive, mudará o clima da discussão de outros temas’’, disse o economista Roberto Lavagna, que estava no governo de Raúl Alfonsín quando o bloco foi lançado e ajudou a idealizá-lo.
Para Beatriz Nofal, esse acordo era um ponto-chave para recuperar não só a
confiança doméstica na viabilidade do Mercosul, mas também da comunidade internacional.
‘‘Esse acordo será muito bem-visto pelos investidores, pois garante o acesso ao mercado integrado do Mercosul’’, afirmou a economista, que acredita em mais
investimentos que ajudarão a modernizar a indústria de automóveis da região.
A hora é de aproveitar esse vento a favor para dar um rumo mais positivo à integração, que foi azedada pela desvalorização do real, em janeiro de 99, detonando uma série de disputas comerciais.
Os últimos meses foram de pesadas críticas dos argentinos ao Brasil. Na semana passada, a conversa começou a mudar de rumo pelo reconhecimento de políticos e da imprensa local de que estava havendo exagero. (A.F.)

mockup