Após dois dias de greve na Volks e nova tentativa de acordo ontem entre empresa e sindicalistas, continua o impasse para negociar as 3.000 demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, deve embarcar até amanhã para a cidade de Wolfsburg, na Alemanha, para pedir à matriz a readmissão dos operários e pedir investimentos para a unidade.
''A empresa insiste em readmitir 1.500. As negociações no Brasil não evoluíram e acabaram'', disse Marinho, que se reuniu ontem com o diretor de recursos humanos da Volks, Henrique Lozano.
A Volks divulgou um comunicado em que reafirma a necessidade de adotar a flexibilização dos salários e da jornada, com sistema de rotatividade de 0,5% do pessoal ao mês e tabela de salários menores, para melhorar a competitividade da fábrica.
Segundo a montadora, essa é a ''única maneira para garantir o futuro de sua unidade mais antiga no Brasil, com investimentos em torno de R$ 2 bilhões e produção de veículos mundiais''.
O sindicato disse que houve avanços em alguns dos itens propostos pela fábrica, mas condiciona a aceitação à suspensão dos cortes. A entidade recusa a rotatividade e a nova tabela de salários com piso de R$ 748 (hoje é R$ 995), com diminuição do teto e aumento de 46 meses para 78 meses para promoções.
A orientação do sindicato é para ninguém ir à fábrica hoje, amanhã e sexta-feira também. Se houver uma proposta de acordo na Alemanha, ela só deverá ser avaliada em assembléia marcada para a próxima segunda-feira.
A Volks informou que vai cobrar dos demitidos as refeições que fizerem na fábrica durante a greve. ''Os empregados desligados em 12 de novembro que utilizarem os refeitórios terão as refeições cobradas integralmente juntamente com as verbas rescisórias, ou seja, sem subsídio da companhia''.

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