A Bolsa de São Paulo fechou o pregão com valorização de 4,31%, otimista com as negociações do País com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A informação, publicada por The Wall Street Journal, ontem, animou o mercado de ações. Segundo o jornal, o FMI estaria articulando com os principais bancos norte-americanos um pacote de ajuda financeira ao Brasil. Na Bolsa do Rio a alta foi de 2,94%, com negócios de R$ 5,533 milhões.
O mercado paulista acumulou uma valorização de 24,29% na semana, que foi relativamente menos turbulenta que a anterior, por causa do significativo encolhimento do déficit cambial diário. Ainda assim, o saldo cambial negativo ontem, até as 19h15, foi de US$ 442 milhões, quase o dobro do déficit de US$ 224 milhões de quinta-feira. Nos cinco pregões da semana, a Bolsa paulista fechou com sinal positivo três deles e em queda dois. A rentabilidade acumulada no mês está em 3,66%; no ano, apura desvalorização de 34,20%.
O saldo negativo apurado pelo movimento cambial deve continuar como uma das principais fontes de preocupação dos investidores. O mercado de ações tende a acalmar-se apenas quando houver um equilíbrio entre entrada e saída de capitais ou superávit cambial. Uma perspectiva que pode ser materializada com a formalização de um possível programa de assistência financeira internacional ao Brasil. O mercado deve acompanhar com redobrado interesse os indícios que apontem para um suposto acordo entre o País e o FMI que poderia ser divulgado na próxima semana.
Um acordo desses, embora sem a liberação imediata de recursos ao País, poderia diminuir a instabilidade nos pregões das Bolsas domésticas. Outro foco de interesse, ainda no cenário internacional, está na divulgação, segunda-feira, das evidências documentais que acompanham o relatório Starr sobre a conduta sexual do presidente Bill Clinton no affair Monica Lewinsky. Seria divulgada também a fita contendo o depoimento prestado por Clinton a um júri federal no mês passado. Um possível enfraquecimento do presidente Clinton pode alimentar incertezas políticas e afetar a Bolsa de Nova, com reflexos negativos também sobre os mercados domésticos. O Índice Dow Jones da Bolsa nova-iorquina alternou ligeiras altas e baixas ontem e fechou com discreta valorização de 0,28% ou avanço de 21,89 pontos. As principais Bolsas européias fecharam em baixa, mas as latino-americanas subiram: a da Cidade do México valorizou-se 2,37% e a de Buenos Aires, 2,92%.
A alta da Bolsa paulista foi puxada pelo avanço das principais blue chips. As ações da Telebrás voltaram a ampliar a participação nos negócios no mercado à vista. A ação preferencial nominativa (PN) da Telebrás fechou com valorização de 5,23%, cotada por R$ 86,50 o lote de mil, e movimentou 56,7% ou R$ 228,827 milhões. Petrobrás PN subiu 3,91%, para R$ 119,50, e Eletrobrás PNB, 1,65%, para R$ 24,60.
Os destaques de alta entre as ações do Índice Bovespa (IBovespa) foram as de Empresa Bandeirantes de Energia (EBE) e da Gerasul, ambas privatizadas na terça e quinta-feira, respectivamente. EBE PN valorizou-se 34,6% e Gerasul PNB e a ON, 12,3%.

mockup