Brasília - O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, sinalizou ontem que as discussões sobre o preço do gás boliviano comprado via Petrobras poderão envolver negociações sobre novos investimentos. O ministro reconheceu que o acordo sobre o preço do gás é fundamental para realização de novos projetos brasileiros na Bolívia, mas afirmou que a ''recíproca'' também é verdadeira. De acordo com Amorim, um bom entendimento sobre investimentos - como o projeto de criação de um pólo gás-químico entre Brasil e Bolívia- poderá contribuir para uma solução em relação ao gás.
O projeto do pólo gás-químico entre o Brasil e Bolívia era um dos principais investimentos previstos pela Petrobras no país vizinho, que acabou suspenso após o anúncio de nacionalização das reservas em maio do ano passado. Segundo Amorim, com a visita do presidente boliviano, Evo Morales, os possíveis investimentos estão sendo tratados em discussões de natureza política, para mais tarde serem encaminhados a uma solução técnica.
Além do pólo gás-químico, considerado vultoso, Amorim citou a negociação de um acordo de cooperação técnica para a Bolívia construir uma estrada entre La Paz e o norte do país. Amorim afirmou ainda que o Brasil está disposto a atender o pleito boliviano de financiar exportação de tratores, no valor estimado de US$ 30 milhões.
Termocuiabá - O ministro reconheceu que o preço do gás boliviano vendido para a Termocuiabá, cujo contrato não envolve a Petrobras, está ''totalmente desatualizado e injusto''. Disse ainda que o preço deverá ser renegociado.
Evo Morales foi recebido ontem, no final da manhã, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto. Mais tarde, a comitiva boliviana reuniu-se com diplomatas no Itamaraty. Devido a um atraso no avião de integrantes da comitiva boliviana, foi suspensa a visita que Morales faria ao Congresso Nacional. A comitiva preferiu dedicar a tarde de ontem a reuniões técnicas bilaterais. No início da noite, Morales voltou ao Planalto para assinar cerca de 11 acordos e uma declaração conjunta.

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