Necropsia pode detectar vírus em animais
A necropsia determinada pela Justiça Federal nos bovinos da Fazenda Cachoeira pode detectar a presença do vírus da febre aftosa nos animais. Conforme as normas da Organização de Saúde Animal (OIE) o vírus persiste nas vísceras dos animais por 180 dias. O objetivo desse exame é comprovar se os bois da Cachoeira tiveram sinais clínicos da doença, se apenas foram infectados pelo vírus, como alega o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ou se não houve circulação viral no rebanho.
Depois de quase 70 dias confirmada como foco de aftosa, técnicos afirmam que nenhum boi da Cachoeira desenvolveu sintomatologia da doença. O vírus também não foi isolado pelos exames. O foco foi decretado pelo Mapa com base em exames de sorologia e na vinculação epidemiológica, uma vez que os animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul - onde surgiram os primeiros casos de aftosa - em setembro e comercializados em um leilão em Londrina em outubro.
''Se não houver o isolamento do vírus através da necropsia é pouco provável que os animais tenham desenvolvido sinais clínicos de aftosa ou tenham sido infectados pelo vírus'', explica o coordenador do curso de Veterinária do Cesumar (Maringá), Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal. Nesse caso, a necropsia pode provar que não houve nem circulação viral entre o rebanho. ''Esses diagnósticos irão mostrar que os bovinos foram sacrificados indevidamente'', afirmou Ricardo Jorge Rocha Pereira, advogado dos proprietários da Fazenda Cachoeira.
As amostras colhidas deverão ser analisadas pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Belém (PA). (F.M.)





