O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid (Neco Garcia), irá no próximo dia 19 para Assuncion (Paraguai) para dar início ao processo de privatização do Banco del Paraná. A confirmação de que a extensão paraguaia do Banestado será vendida foi feita ontem por Garcia, momentos antes dele tomar posse como novo presidente da instituição. Garcia recebeu o cargo do ex-presidente Domingos Murta Ramalho, em uma solenidade que lotou o auditório da sede do banco. A privatização do Del Paraná foi defendida tanto por Garcia quanto por Ramalho.
‘‘O processo total de privatização do Banestado é a médio ou longo prazo, por enquanto haveremos de privatizar algumas coligadas e o Banco Del Paranᒒ, afirmou Garcia. Ele disse que a filosofia do Banco Central é privatizar os bancos estaduais e essa determinação aos poucos será colocada em prática. Garcia disse que como empresário defende a transferência do banco para a iniciativa privada.
O presidente disse que já há interessados na compra do Banco del Paraná. A privatização da agência paraguaia se dá através da oferta no mercado financeiro das ações que cabem ao governo do Estado. O Banestado é acionista majoritário do Del Paraná. A reunião de Garcia no Paraguai deve definir detalhes do processo de privatização. Segundo Garcia, o banco deve fechar este semestre com um resultado positivo de US$ 18 milhões, depois de anos de prejuízo e envolvimento em escândalos financeiros.
Quanto às coligadas, a primeira que entrará no processo de privatização é a Banestado Reflorestadora. Mas a Leasing também poderá ser vendida. ‘‘Estamos pensando sobre a Leasing, que tem uma série de problemas em seu passado’’, afirmou.
O problema com a Banestado Leasing se refere ao envolvimento da empresa e da Banestado Corretora na compra de títulos públicos. Neco Garcia disse não acreditar que o banco possa ficar com o ‘‘mico’’ por ter comprado títulos do governo de Alagoas e da prefeitura de Osasco (SP). O governador de Alagoas, Divaldo Suruagy anunciou que o Estado não resgataria os títulos que venceram nesta semana. No caso do Banestado, os títulos vencem em julho do próximo ano.
‘‘Como os títulos foram emitidos com o aval do Senado Federal e têm o lastro do Banco Central, eu tenho a certeza absoluta que o governo tem a obrigação de honrar esses títulos’’, afirmou Garcia. Ele disse que se o governo não honrar o resgate dos títulos levará uma grande instalbilidade ao sistema financiero, mas se isso acontecer, Garcia admite que o Banestado ficará com o um ‘‘grande mico’’.
Domingos Murta Ramalho também diz ter certeza do resgate. ‘‘Nenhum Estado deixou de resgatar os títulos’’, afirmou o ex-presidente. Murta afirmou que a Banestado Corretora teve R$ 22,4 milhões de lucro na operação de compra de títulos. O total adquirido pelo Banestado foi de R$ 260 milhões.

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