Neco acusa irregularidades na Freezagro
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quinta-feira, 31 de julho de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Uma série de operações irregulares feita pela Freezagro Produtos Agrícolas, de Cambé, junto ao Banestado torna a empresa uma das maiores devedoras do banco no Norte do Paraná. Se fosse quitar sua dívida com o banco hoje, a empresa teria que desembolsar cerca de R$ 12 milhões. As informações são do presidente do Banestado, Manoel Campinha Carcia Cid, o Neco Garcia, que falou ontem, por telefone, com a reportagem da Folha.
A dívida começou em 94, quando a Freezagro tomou um empréstimo de R$ 7 milhões para investimento e capital de giro e deu como garantia um terreno onde seria construída a indústria. Só que este imóvel está sub-júdice. Um grupo de Cambé está questionando na justiça a doação do terreno feita pela prefeitura, explica Garcia Cid.
A dívida cresceu ainda mais há dois anos, quando a empresa fez operações ilegais de desconto de duplicatas. A Freezagro emitia duplicatas em nome de empresas de alimentos sem ter feito nenhum tipo de transação comercial com elas. Na hora em que ia vencer a primeira duplicata, ela descontava, no Banestado de Cambé, uma outra duplicata fria. Isto é uma forma de estelionato, diz Garcia Cid. A operação foi feita em conjunto com o ex-gerente do banco em Cambé, demitido do cargo por justa causa. Ele hoje responde a processo na justiça federal, segundo o presidente do Banestado.
Essas operações irregulares deram um prejuízo de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões ao Banestado, conta Garcia Cid. Ele diz que quando o banco tomou conhecimento das irregularidades suspendeu o crédito da empresa. A dívida, que venceria no final do ano passado, conseguiu ser prolongada para 1999 devido a um deslize de funcionários do banco, que aceitaram como garantia do prolongamento da dívida uma propriedade rural em São Jerônimo da Serra, de 900 alqueires, mediante apenas a apresentação da escritura de compra e venda do imóvel. Só que esta propriedade não existe. Foi constatada fraude. A escritura falsa foi comprada num cartório de registro de Congonhinhas, que já foi fechado pela Corregedoria Pública, revela Garcia Cid.
Segundo o presidente do Banestado, os funcionários cometeram o deslize ao aceitar a escritura sem o número de matrícula do registro de imóveis e sem exigir a apresentação do comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Quem fez a vistoria na propriedade rural foi o ex-gerente de Cambé. Mas mesmo depois dele ter sido demitido, o processo de hipoteca da propriedade continuou correndo.
Garcia Cid conta ter sido esta falha o motivo de o Banestado ter substituído o superintendente de Londrina nesta semana. O superintendente antigo foi transferido para Curitiba para assumir a gerência de uma agência. Por ter assinado o prolongamento da dívida sem tomar os devidos cuidados para proteger o banco, ele também terá uma advertência anotada em sua ficha funcional.
Garcia Cid diz que o Banestado descobriu a inexistência da propriedade rural oferecida em garantia há três meses, quando foi aberta uma auditoria interna no banco.
No término do prazo para pagamento da dívida, em 1999, a Freezagro terá a pagar R$ 21 milhões ao Banestado - dívida acrescida de juros. Só que, na minha opinião, a operação de prolongamento da dívida, feita em dezembro passado, deve ser nula já que a garantia oferecida pela empresa não existe, diz Garcia Cid. Ele afirma que o departamento jurídico do banco já está levantando informações sobre o caso. Se o prolongamento do prazo for anulado, os proprietários da Freezagro deverão ser chamados pelo Banestado para dar explicações e uma garantia real da dívida. Se eles não fizerem isso, serão executados pelo banco e obrigados a pagar. Segundo Garcia Cid, a solução do caso pode levar um ano. O presidente do banco calcula que, atualmente, para se construir uma indústria similar à Freezagro, seriam gastos entre R$ 6 milhões a R$ 7 milhões.
A Folha tentou ouvir a Frezagro ontem mas não conseguiu contato com nenhum diretor.


