Curitiba - A Capitania dos Portos de Paranaguá adotou duas medidas que devem resultar, no curto prazo, no aumento dos custos de operacionalização das empresas que utilizam o Porto de Antonina. A capitania suspendeu a navegação noturna por falta de bóias iluminadas necessárias para orientar o percurso do navio. E decidiu também rebaixar o calado operacional do porto de 10 metros para 8,1 metros por falta de dragagem.
O comandante Osmar Pedro da Cunha, capitão de Mar e Guerra, da Marinha, tomou essa decisão após pedir por inúmeras vezes para que a autoridade portuária, no caso a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), fizesse as obras e serviços de manutenção no porto, mas não foi atendido.
A iniciativa de Cunha não foi isolada. Desde março do ano passado a unidade da Receita Federal em Paranaguá deixou de dar plantão 24 horas na área portuária por falta de condições de funcionamento. O superintendente Marco Antonio Franco também disse que fez vários pedidos à APPA para que fizesse as reformas necessárias nas instalações elétricas, hidráulicas e de comunicações da unidade, mas não foi atendido.
Ontem, o plantão 24 horas da Receita Federal foi retomado no Porto de Paranaguá, graças à interferência do Terminal de Contêiner de Paranaguá (TCP), uma empresa da iniciativa privada, que cedeu instalações adequadas para o funcionamento do órgão. Com isso, as autorizações para operações de exportação e importação ficaram prejudicadas com a interrupção dos serviços no período noturno, finais de semana e feriados.
Pela lei, o Porto de Paranaguá está ameaçado de perder sua condição de porto alfandegado (que faz operações de importação e exportação), se a APPA não providenciar instalações adequadas para o funcionamento da unidade da Receita Federal na área comandada pela autoridade portuária, disse o superintendente da Receita.
De acordo com o comandante Cunha, da Capitania dos Portos, a falta de autorização para navegação noturna e o rebaixamento dos calados dos navios em Antonina, certamente vão elevar o custo das empresas do setor de congelados, madeira e ferro que operam por aquele porto. ''Se um navio completa a carga no final do dia e está pronto para sair, terá que esperar até o dia seguinte para seguir viagem'', afirmou.
Segundo o comandante da Capitania, a APPA cancelou o contrato com a empresa que faz a manutenção das bóias no porto de Antonina e elas ficaram sem sinalização, aumentando os riscos de acidentes. Cunha disse ainda que o balizamento do Porto de Paranaguá também está sem manutenção, sendo necessária a contratação de uma empresa especializada.
O superintendente da APPA, Eduardo Requião, não foi encontrado para dar sua posição à respeito das decisões dos órgãos federais.

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