Navios começam a evitar porto por causa da greve
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
A greve dos estivadores do Porto de Paranaguá começou a provocar ontem a perda de alguns navios que iriam atracar no terminal para embarcar soja, mas decidiram ir para portos vizinhos como o de São Francisco (SC) e Santos (SP). Ontem, três navios alteraram o rota e foram para para o terminal portuário catarinense. Os armadores temem que com a continuidade da greve, eles tenham prejuízo. Cada armador perde em média R$ 20 mil a cada dia parado. O fim da greve seria decidido ontem à noite em uma reunião entre estivadores e operadores.
A reunião começou na metade da tarde e até às 20h30 ainda não tinha terminado. Os sindicatos dos estivadores e operadores não conseguiam chegar a um acordo quanto à assinatura da convenção coletiva de trabalho. Os estivadores são contrários ao processo de modernização dos portos, que prevê corte de equipes que trabalham no setor da estiva.
Com a fuga para o Porto de São Francisco, as operadoras e o terminal portuário começam a perder dinheiro das tarifas portuárias. A perda somaria R$ 500 mil em tarifas e serviços.
As negociações ontem no Porto de Paranaguá caminhavam para o final da paralisação. A expectativa de fim de greve foi levada durante todo o dia sem que houvesse uma decisão final. A greve da estiva provocou a paralisação de todos os demais setores portuários. Os 11 navios atracados no cais do porto continuaram sem receber carga. O prejuízo total para os armadores é de R$ 400 mil.
Os armazéns ainda tem espaço para receber soja equivalente à carga de 2 mil caminhões. No pátio de triagem e na BR 277, que dá acesso ao Porto, a fila de caminhões chega a 15 quilômetros. A fila não se deve à paralisação dos estivadores, mas ao início do escoamento da safra de soja.(Carmem Murara)


