Natura dá salto estratégico com entrada na Bolsa
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sábado, 29 de maio de 2004
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma empresa de produtos de beleza, nascida há 35 anos no fundo do quintal, acaba de dar um salto estratégico ao se tornar a primeira fabricante brasileira de cosméticos, de produtos de higiene e perfumaria a entrar na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A estréia da Natura no mercado de ações, na última semana, superou as expectativas. Seus papéis subiram 15,6% no primeiro dia, movimentando R$ 160 milhões, 14% do total da Bolsa. A procura pelas ações da empresa foi dez vezes superior à oferta.
Ao entrar no mercado de capitais, a Natura, que no ano passado faturou R$ 1,9 bilhão, um crescimento de 35,4% em relação a 2002, sedimentou bases para seu crescimento no País e se municiou para abrir novas portas no mercado externo. A empresa, que já atua na Argentina, Chile e Peru, também por meio de distribuição e venda direta de seus produtos, planeja abrir, no segundo semestre ou no início do próximo ano, sua primeira loja em Paris.
''A decisão da Natura dá mais visibilidade ao setor e abre perspectivas para outras empresas terem opções de captar dinheiro para expandirem negócios'', diz o presidente da Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio da Silva. É a mesma observação do gerente de mesa Robson Queiróz, da corretora SLW, que participou da operação. ''A empresa colocará o setor em evidência'', diz. Ele calcula que pelo valor de mercado das ações da Natura, que atingiram R$ 42,20 no lançamento, o valor da companhia ficaria em torno de R$ 3,4 bilhões, o que a coloca próxima de outras grandes empresas como a Klabin e a Sabesp.
O vice-presidente e um dos sócios da O Boticário, Artur Grynbaum, outra grande empresa nacional do setor, também ressalta a evidência maior que a Natura dará à indústria de produtos de beleza. O Boticário ainda não tem planos para seguir caminho semelhante. Porém, a médio e longo prazos Grynbaum não descarta a possibilidade. O Boticário faturou R$ 1,5 bilhão em 2003, fechou o ano com 2.240 lojas, entre próprias e franqueadas, e tem avançado com franquias no mercado externo.
A Natura não entrou no mercado no momento para captar recursos. Os controladores da empresa, Antonio Luis Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, venderam papéis já existentes. O dinheiro dos investidores foi direto para os sócios que se desfizeram das ações. ''Eles tiveram um retorno financeiro do que investiram na empresa'', resume Queiróz, da SLW. O presidente executivo da empresa, Pedro Passos, garantiu que a empresa não precisa de dinheiro para crescer. Pelo menos no momento. ''Eles não têm problema de geração de caixa. Estão profissionalizados para ganhar mais mercado'', dizem analistas.


