Natal terá mais importados no varejo
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domingo, 05 de dezembro de 2004
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Os produtos importados começam a ganhar mais espaço nas prateleiras dos supermercados neste fim de ano. Menos pela queda do dólar e mais pela perspectiva de recuperação econômica notada principalmente a partir do segundo semestre as grandes redes decidiram investir no volume de ofertas de importados para a ceia de Natal.
As encomendas foram de 10% a 30% maiores do que no ano passado. A maior parte das empresas, dependendo do produto, acertou as compras com os importadores bem antes de o dólar cair. ''Percebemos uma retomada do crescimento no início do 3º trimestre e resolvemos investir'', diz o diretor de Compras do Carrefour, Evandro Vieira dos Santos.
A rede francesa comprou 30% a mais de importados para o Natal deste ano em relação ao mesmo período em 2003. Só as encomendas de vinho cresceram 70%. ''O estoque é de 180 mil caixas para serem vendidas neste período de festas,'' diz Santos. As encomendas de bacalhau aumentaram 27% e de frutas secas 18%, ante o Natal do ano anterior.
Apesar das últimas altas dos juros, que desaceleraram as vendas e convenceram o comércio a ser mais comedido nas encomendas de produtos nacionais, no caso dos importados a situação é diferente. ''As encomendas de produtos que vêm de fora são feitas com muita antecedência e não dá para reduzir compras na última hora'', diz o diretor do Carrefour. Mas, observa, no caso dos importados a expectativa é muito boa. ''Só em novembro as vendas estão 22% acima de novembro de 2003'', compara. O Carrefour já fez pedidos extras de bacalhau e frutas secas. A previsão é que o resultado de Natal fique de 16% a 19% acima do ano anterior.
O tradicional supermercado Santa Luzia, localizado na região dos Jardins e especializado em importados, também está na expectativa de reforçar encomendas nos próximos 10 dias. ''Talvez tenha de recorrer ao mercado interno porque os estoques já estão mais baixos do que esperávamos'', diz o diretor da empresa, Jorge Conceição Lopes. Ele diz que fez a maior parte da programação de compras em abril e maio e foi conservador. ''O cenário econômico era mais indefinido.''
Para o presidente da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Sussumu Honda, o Natal de 2004 promete bons resultados porque a economia está mais irrigada. ''Temos quase dois milhões de empregos a mais este ano, o que significa crescimento da massa salarial'', diz Honda. Ele projeta crescimento de pelos menos 10% nas vendas de importados.
O Pão de Açúcar aumentou em 30% as encomendas de produtos dos exterior, principalmente para se diferenciar dos concorrentes. ''Investimos em eletroeletrônicos, como num DVD, com custo abaixo de R$ 300, em produtos têxteis e em linhas complementares de alimentos'', diz o diretor de Comércio Internacional da rede, Marcelo Ubriaco.
A estratégia de apostar no importado diferenciado também foi adotada pela rede americana Wal-Mart. Nas lojas com a bandeira Sam's Club, a presença de itens importados e exclusivos triplicou em relação ao ano passado. Entre os eletroeletrônicos, a empresa investiu em DVDs da marca própria Durabrand com preços também abaixo de R$ 300.


