Ao contrário dos três últimos anos, tudo indica que o Natal de 1997 não vai ser do eletrodoméstico nem dos produtos caros que exijam parcelamento na hora da compra. Os consumidores estão optando pelo bom, bonito e barato, principalmente este último item. As lojas de roupas, CDs e perfumes ganham a preferência das pessoas que começaram a fazer as compras. As lojas mais sofisticadas ainda estão com movimento fraco. O comércio de modo geral registrou um aumento de 37% nas vendas na primeira semana do mês em relação ao mesmo período de novembro.
Aos poucos, os lojistas começam a rever a onda pessimista que atingiu o comércio no início do mês passado, quando houve o anúncio do pacote econômico do governo federal. Com a alta dos juros, a Associação Comercial do Paraná previu o pior Natal do Plano Real, com quedas nas vendas que poderiam atingir 20% sobre 1996.
Mas a queda poderá não ser tão forte. A comparação das vendas no início do mês com o começo de dezembro do ano passado mostra que as vendas estão 28% superiores. Os números são calculados com base no volume de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Cheque (SCPC), sistema utilizado pelos comerciantes para checar se o consumidor está inadimplente. A análise mostra que o consumidor está comprando mais com cheques pré-datados.
Os lojistas estão surpresos. ‘‘São resultados inesperados para a tendência de mercado, que projetava uma queda de 20% no volume de vendas para este ano’’, afirma o vice-presidente de Serviços da Associação Comercial do Paraná, Luis Valdir Nardeli.
Ele ressalta, no entanto, que as compras estão se dando em poucas prestações (30, 60 ou 90 dias). Isso evidencia que o consumidor preferiu optar pelos produtos de menor valor. As promoções e descontos são apontados como responsáveis pelo aumento repentino nas vendas. As lojas do centro da cidade estampam cartazes e faixas que anunciam facilidades na hora da compra. Há lojas que estão liquidando em pleno Natal, quando tradicionalmente fazem isso após as festas de fim de ano.
A dona da loja Mariner Confecções, Alexandra Franciosi, diz que o comércio está fazendo qualquer negócio para atrair o consumidor. ‘‘Baixamos os preços e fazemos promoções na expectativa de atrair o público’’, afirma Alexandra. Ela ainda reclama da falta de consumidores. A comerciante aposta no final de semana para vender mais.

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