O Natal deste ano ainda não empolgou os consumidores. Em Londrina, por enquanto, as vendas estão nos mesmos patamares às registradas nos 17 primeiros dias de dezembro do ano passado. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC), medido pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), o movimento está apenas 0,4% superior ao mesmo período de 2005, enquanto estatísticas do Protecheque (vendas à vista) indicam um aumento de 2%. Apesar deste resultado parcial, a Acil ainda acredita na reversão do quadro e espera fechar o mês com um aumento nas vendas entre 10% e 15% maior do que o registrado no ano passado.
''Os números do SCPC mostram que as vendas estão praticamente empatadas, mas estamos entrando na semana decisiva e acreditamos que o movimento irá aumentar'', afirmou o vice-presidente da Acil, Marcelo Cassa. Na avaliação dele, o calor excessivo registrado durante os dias tem desanimado os consumidores. ''De repente as pessoas resolveram esperar um pouco mais para comprar'', disse. Um outro fator que pode pesar negativamente para o comércio de rua é que este mês terá um dia útil a menos do que dezembro do ano passado, quando as lojas funcionaram no dia 24, véspera de Natal.
''Para alguns segmentos o dia 24 é considerado o melhor dia em vendas, agora não sabemos o que pode acontecer no comércio central, se o movimento do dia 24 vai migrar para os shoppings ou se as vendas irão aumentar no dia 23. Os clientes do centro são bem definidos'', avaliou Cassa. Apesar das estatísticas, algumas lojas conseguiram fugir dos números. É o caso da Móveis Brasília, localizada na Rua Benjamin Constant. De acordo com o gerente Valdecir Paschoal, até ontem as vendas já aumentaram entre 15% e 18%. ''O movimento forte começa nesta semana e, por isso, acreditamos que podemos chegar perto dos 30% até o Natal'', estimou.
No estabelecimento, a procura maior está por produtos eletroeletrônicos como telefones celulares, computadores e videogames. Já as Lojas Riachuelo registraram um crescimento nas vendas de quase 10%. ''A nossa meta é atingir um aumento de 12% neste mês. Nesta semana o movimento é forte, mas na outra (entre o Natal e o Ano Novo) cai'', comentou o gerente Delso Borges de Oliveira. Ele avalia que o fechamento das lojas no dia 24 irá atrapalhar o comércio local. ''Isso é uma regressão, abrir neste domingo (dia 24) é uma necessidade porque cidades menores e as da região irão abrir'', observou.
Além disso, Oliveira diz que o mau estado de conservação do Calçadão e a iluminação precária trazem reflexos negativos às vendas. ''Ainda a Riachuelo tem atrativos para os consumidores, como as formas estendidas de pagamentos. Mas tem loja que fica vazia à noite, que não está vendendo nada'', observou. A subgerente da Loja Prata Fina, Denise Vitorello Martins, confirma esta teoria e afirma que, neste ano, o movimento está menor do que o registrado no ano passado. ''Ontem (domingo) fechamos a loja às 15 horas porque não entrava ninguém e não fomos só nós, todas as outras lojas aqui da Higienópolis'', disse.
De acordo com ela, o forte calor e a falta de dinheiro estão afetando o desempenho do comércio. ''Mas ainda temos esperança de que as vendas melhorem nesta semana, até porque ainda vai ser paga a segunda parcela do 13º salário'', observou.

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