Agência Estado
De São Paulo
Tesouro e mercado decidiram no braço ontem qual é o patamar considerado justo para se carregar papel prefixado. Tomando como pretexto as oscilações do Nasdaq, as instituições financeiras formaram um consenso salgado para o leilão de LTNs de 231 dias e de 357 dias. Pediram, e foram agraciadas, com taxas máximas de 19,04% em ambos os casos. As médias ficaram em 19,00% para o papel mais curto e em 19,03% para o mais longo. Na semana passada, as LTNs com mesmo vencimento colocadas em leilão tiveram taxas máximas de 18,33% e 18,38%.
O Tesouro não tinha saída ontem. Se não sancionasse taxas mais elevadas, não venderia os lotes de LTN e, consequentemente, alimentaria ares de crise no mercado. ‘‘Imagine as manchetes amanhã: Nasdaq faz leilão do Tesouro fracassar’’, exemplificou um executivo. De outro lado, ao sancionar, se tornou um pouco refém do mercado e sinalizou que a Selic não deve cair nem na próxima reunião do Copom, em 18 e 19 próximos, nem no próximo mês.
Nos mercados futuros, as projeções de taxas sobem um pouco a cada dia. E cresce a expectativa com a reunião do Copom e, sobretudo, com a justificativa do comitê sobre seu futuro movimento. Se for alegada a instabilidade do Nasdaq para a manutenção da Selic, o mercado pode não gostar. Mesmo porque as taxas de inflação vêm se mantendo sistematicamente comportadas (leia na página 3).
O índice Nasdaq mais uma vez ditou a direção da Bolsa de Valores de São Paulo. O Nasdaq encerrou o dia com desvalorização de 3,16%, ou 132 pontos, e a Bovespa em queda de 1,45%, e volume financeiro um pouco melhorado, de R$ 694 milhões. No final do pregão matutino, a Bovespa ensaiou alguma recuperação.
Hoje e na próxima segunda-feira, a Bovespa enfrenta novas pressões, vencimento do índice futuro e exercício de opções, respectivamente. Alguns analistas afirmam que não deve haver grandes disputas entre comprados e vendidos no índice futuro.
O Dow Jones, mais uma vez seguiu no sentido contrário, fechou o dia em alta de 0,90%, ou 101 pontos. O foco das atenções do mercado de câmbio ainda é o cenário externo. Mas a intensidade da preocupação até que diminuiu durante a tarde. A moeda norte-americana, que chegou à máxima de R$ 1,7520, alta de 0,51%, durante a manhã, acabou encerrando o dia muito próxima ao fechamento de anteontem, a R$ 1,7440, um pequeno ajuste de +0,06%.

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