A Nasdaq fechou o seu pregão de ontem em queda de 199 pontos, ou 5,93%, para 3.164,55 pontos. Foi o menor nível registrado pela bolsa eletrônica norte-americana neste ano, superando a sombria barreira de 14 de abril, quando caiu a 3.231 90 pontos. Mais uma vez, prevaleceu o nervosismo gerado pela incerteza dos investidores com relação ao futuro das taxas de juros nos EUA, a ser decidido na reunião do Fed nos dias 27 e 28 de junho. O mercado tem estado apreensivo também por conta de um discurso que o presidente do Fed, Alan Greenspan, fará amanhã na National Association of Urban Banks, por meio de uma conferência via satélite, em São Francisco, às 16h20 de Brasília.
O comportamento da Nasdaq, segundo afirmou um operador, contaminou os negócios com as ações do Dow Jones, que fechou em queda de 120,3 pontos, ou -1,14%, para 10.422,2 pontos. A Bovespa, que no seu melhor momento de ontem chegou a registrar alta de 1,83%, tentou boa parte do dia se descolar dos movimentos do mercado norte-americano. Mas também fechou em queda de 2,18%, em 13.587 pontos, com volume financeiro de R$ 643 milhões.
A queda da Bovespa foi potencializada pelas ações de telefonia, que em razão da desvalorização dos papéis negociados na Nasdaq encerraram a sessão de ontem em fortes baixas. Os papéis da Globo Cabo, única empresa genuinamente pontocom da bolsa paulista, encerraram o dia em baixa de 9,91%, a maior queda do índice da carteira teórica paulista.
O destaque no campo positivo ficou por conta das acões ordinárias da Petrobras, que subiram 6,78%, movimentando R$ 55 milhões. O motivo para a alta expressiva dos papéis foi a decisão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que ontem derrotou por 14 votos a 8 o projeto de lei do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O projeto proibia o Tesouro Nacional de vender 31,7% das ações ON da empresa, conforme apurou o jornalista José Ramos.
Para hoje, analistas acreditam que a bolsa doméstica poderá repetir o comportamento de ontem, uma vez que o dólar deverá abrir pressionado. Para piorar o cenário, alguns analistas já falam que o ajuste dos preços das ações de empresas de alta tecnologia norte-americanas deverá continuar, o que levará a Nasdaq a romper em breve o suporte dos 3.000 pontos para atingir os 2.900 pontos.
As declarações do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em teleconferência ontem promovida pela CNI, apenas confirmaram a percepção que todo o mercado tem: a Selic ficará nos 18,5% ao ano, sem viés.
O dólar oscilou bastante ontem, entre a cotação máxima de R$ 1,8580 (alta de 0,38%) e a mínima de R$ 1,8470 (queda de 0,22%), para encerrar o dia com valorização de 0,27%, negociado a R$ 1,8560. Na BM&F, os contratos de câmbio futuro para junho e julho também fecharam em alta. ‘‘Depois de cair 0,22%, o dólar voltou a subir e fechou bastante pressionado’’, comentou um operador. ‘‘Por isso, o mercado está prevendo uma abertura nervosa para esta quarta-feira’’, completou. (Márcia Pinheiro, Mario Rocha e Francisco Carlos de Assis)

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