Nas farmácias, movimento também cresce
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
O balconista Rafael Cardoso, que trabalha há oito anos na Farmácia Senador, nas proximidades da Santa Casa de Londrina (área central), tem experiência o suficiente para compreender o fenômeno que vai equilibrar o balancete do seu patrão: quando a temperatura cai bruscamente as farmácias ficam mais cheias e as vendas de medicamentos não controlados crescem substancialmente.
''Quando o frio vem, as vendas mais que dobram. A maioria dos clientes já vem gripada ou resfriada. É difícil ver alguém levando um antigripal ou um antitérmico para estocar. Além da cartela avulsa com comprimidos, normalmente as pessoas levam um outro medicamento xarope é o mais comum para garantir a melhora'', descreve o balconista.
Na gôndola, há um amplo leque de escolha entre os analgésicos, antigripais e vitamínicos. Na farmácia onde Cardoso trabalha, são cerca de 10 marcas vendidas em cartelas avulsas. ''O cliente geralmente já entra na loja sabendo qual marca vai comprar'', revela. Os preços variam de R$ 0,60 a 3,20.
Na rede de farmácia Vale Verde, com 13 lojas em Londrina, as vendas deste segmento crescem 100%, incluindo também os antialérgicos. De acordo com o diretor comercial, Rubens Augusto, o aumento na procura dos remédios de inverno atrai um número maior de clientes, que gastam com outros produtos. ''Às vezes, a pessoa passa na farmácia na madrugada para comprar um remédio para aliviar os sintomas e acaba comprando leite, por exemplo''.
Augusto revela que os chamados remédios de auto-medicação consciente representam 30% das vendas no inverno. As vendas de fraldas também crescem, segundo o executivo. ''Com o frio, a mãe se compadece do bebê e troca a fralda mais vezes''. Outros itens também apresentam forte crescimento durante o frio intenso, caso dos aparelhos de inalação e do soro fisiológico. Com o clima hostil, chuva ou frio, o disque-entrega da rede também é bem mais solicitado, o que reflete no faturamento global.
Na rede Drogamed, os remédios ligados à mudança brusca de clima aumentam suas vendas em 97% no Estado. Em junho, o tablóide informativo para os clientes vai ganhar o título de Inverno Quente. No encarte, descontos atraentes para os remédios da temporada e o estímulo para participar da campanha do agasalho.
Os fabricantes jogam pesado para faturar neste repique de vendas. A Procter & Gamble (P&G), da linha Vick, dobrou a verba publicitária este ano. A Bayer, dona da Aspirina, vai gastar 50% mais em mídia. Eduardo Takara, gerente de marketing da P&G, diz que 70% das vendas de produtos relacionados ao frio ocorrem entre abril e setembro. Essa categoria de medicamentos, que não precisa de receituário, representa US$ 290 milhões
A Bayer voltou a colocar na mídia a tradicional Aspirina C, que não era alvo de campanhas desde 1999. O gerente de Marketing, Humberto De Biase, diz que a concorrência é acirrada e o produto foi reposicionado. Hoje, responde por 12,4% das vendas de antigripais (atrás de Naldecon e Benegripe). ''Em janeiro, era 8%'', lembra ele. (Com Agência Estado).


