Rebaixar o Custo Brasil para recolocar a balança comercial no azul do superávit é um truísmo do discurso exportador. Assinado: José Alexandre Scheinkman, economista carioca que substituiu Milton Friedman no comando do Departamento de Economia da Universidade de Chicago.
Passando esta semana por São Paulo, o professor Scheinkman divagou sobre carências, ineficiências e incompetências da economia brasileira no seminário Custo Brasil e Globalização, promovido pela Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec).
Portos obsoletos, por exemplo, subtraem competitividade tanto da exportação como da importação. Modernizar os portos, tal como melhorar os transportes em geral, desenvolver as telecomunicações ou eliminar embaraços alfandegários, burocráticos e tributários - tudo isso favorece o comércio exterior nas duas mãos. Portanto, sem compromisso com a redução do déficit comercial.
Desmontar o Custo Brasil é levantar a eficiência de todo o aparelho econômico. Ganha com isso o exportador, o importador, o empresário, o trabalhador, o consumidor, o cidadão. Se o exportador é o que mais fustiga o Custo Brasil, viva a exportação. O importante é não perder de vista, em plena decolagem da globalização, o baixo grau de extroversão econômica do Brasil, recomenda José Alexandre Scheinkman.
Para os participantes do Encontro Nacional de Comércio Exterior, que se encerra hoje no Rio, Scheinkman oferece alguns dados para reflexão sobre o grau de abertura da economia brasileira semifechada. O grau é calculado pela divisão do total do intercâmbio (exportações mais importações) pelo PIB.
De 1980 a 1994, essa relação caiu de 20% para 15% no Brasil. Este ano, certamente, 13%. Na Coréia do Sul, a relação saltou de 16%, na década dos 70, para 60%, nesta década dos 90. Scheinkman serve-se desse par de números para fuzilar a acomodação brasileira: o grau de abertura da economia e o nível de educação do povo são os principais reatores do desenvolvimento econômico e social. Na Coréia do Sul, 90% da população tem diploma de segundo grau. No Brasil, nem 30%.

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