Todos os dias, satélites artificiais, que estão no espaço orbitando a Terra, passam sobre o estado do Paraná várias vezes. A cada passagem, eles recolhem dados importantes que acabam sendo pouco ou nada aproveitados. Mas esse ‘desperdício’ de informações está com os dias contados. A Fundação Araucária lançou nesta sexta-feira (11/04), dentro da programação técnica da ExpoLondrina, o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Space.

O objetivo do programa é constituir um arranjo de pesquisa e inovação voltado à novos negócios que atendam a interesses específicos do Paraná. Segundo articuladora do NAPI Space, e também assessora de Relações Institucionais e Inovação da Fundação Araucária, Cristianne Cordeiro, a iniciativa é uma estratégia da Fundação e do Governo do Estado para atender a demandas do setor econômico por meio de um arranjo composto por diversos atores (institutos de pesquisa, empresas, governo, etc.) que tem como foco os dados satelitais. “O Paraná não quer lançar satélites. Não precisamos. Já temos vários outros Estados que têm competência e expertise para isso. Queremos ter aplicações para o uso de satélites”, explica.

Segundo a assessora da Fundação Araucária, o NAPI Space é um anagrama de serviços, produtos, aplicações e conectividade como espaço. Entre os usos dos dados satelitais previstos inicialmente estão aplicações voltadas para a agricultura de precisão e também a meteorologia. O novo arranjo, segundo Cristianne, também contempla a questão da legislação. “Essa parte do direito é para a gente fazer uma gestão do que pode ou não do espaço, porque todos os outros Estados já têm uma legislação própria e nós ainda não temos”, observa. O NAPI Space conta com um investimento do Governo do Estado, por meio da Fundação Araucária e da Secretaria da Inovação e Inteligência Artifical (SEIA), de R$ 4,2 milhões, e de R$ 1 milhão investidos pela Coamo Agroindustrial Cooperativa.

No caso do setor agrícola, Cristianne afirma que o NAPI Space terá um copilot, por meio da parceria com a Coamo, voltado para a logística de grãos. “Então será possível ter um controle maior da logística, proporcionando uma perda menor de grão durante o transporte. Mas também será possível utilizar os dados satelitais para sensoriamento, predição, prescrição de pragas e várias outras aplicações”, afirma.

Já o uso de dados colhidos por satélites para aplicações relacionadas à meteorologia, o copilot é desenvolvido pelo Simepar, em parceria com o Senai, que, segundo Cristianne, conta com pesquisas importantes nesta área dentro do seu hub de Inteligência Artificial (IA). “Então vão ter equipes pelo Estado todo monitorando isso e transformando isso em uma aplicação para a gente prever antes de acontecer os desastres”, observa.

A assessora diz que o NAPI Space também contará com parcerias da UAB (Universidade Aberta) e UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) para a questão ligada à legislação que rege o tema. Com a UEL (Universidade Estadual de Londrina), o programa prevê parceria sobre o entendimento de satélites.

Empreendedorismo na área espacial

Outro parceiro no NAPI será o Centro Vocacional do Instituto Federal do Paraná, que oferecerá, em todo o Estado, o primeiro cursos de empreendedorismo na área espacial. “O objetivo do curso itinerante será fomentar startups, fomentar novos negócios e também para que as pessoas conheçam os diversos usos dos satélites, porque a gente usa essa tecnologia todos os dias”, destaca.

A assessora observa que o Estado quer ser todo conectado e o uso de satélites é a forma mais fácil de promover isso. “Mas o uso de dados ainda é incipiente para nós, mas vai deixar de ser. O que a gente quer como NAPI Space é transbordar essa tecnologia desenvolvida aqui no Estado para todo o Brasil. E a Agência Espacial Brasileira é nossa parceira nesse programa”, salienta.

A coordenadora de Estudos Estratégicos e Novos Negócios da Agência Espacial Brasileira, Leila Maria Garcia Fonseca, participou do lançamento do NAPI Space, no pavilhão Smart Agro da ExpoLondrina. Ela explica que a Agência, entre outras funções, promove o desenvolvimento de tecnologias espaciais, inovação, fomenta startups e a indústria espacial brasileira. Leila afirma que o lançamento do NAPI Space é uma iniciativa muito importante para a agência espacial pois ela possibilita a criação de uma rede de cooperação entre universidades, centros de pesquisas, empresas privadas e o governo. “Com isso, é possível criar um ecossistema favorável ao desenvolvimento de qualquer atividade na área espacial e o seu fortalecimento”, comenta.

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