Não sou candidato nem a síndico, afirma secretário
Não sou candidato
nem a síndico,
afirma secretário
Curitiba
Folha - Com toda esta campanha, o senhor acredita que irá reduzir a sonegação em quanto?
Gionédis - Eu não tenho dúvida que a sonegação gire em torno de 20% a 30%. Embora de julho para cá tenha havido uma recuperação forte. Se analisarmos o Simples (Sistema simplificado de arrecadação fiscal para pequena empresa), constatamos que houve um crescimento no setor de 40% no recolhimento. Nos dois últimos shoppings em Curitiba, que vistoriamos neste mês de dezembro, foram fechadas nada mais nada menos do que 40 lojas. Elas não tinham sequer a inscrição estadual, mesmo com toda a medida preventiva feita pela Secretaria da Fazenda.
Folha - A meta para 1998 é centralizar o trabalho no combate à sonegação?
Gionédis - O aumento de arrecadação e o combate à sonegação são as prioridades. Queremos manter o diálogo aberto com as empresas. Estamos negociando com o setor de bebidas. Há uma discussão grande na substituição tributária. A substituição prevê um preço final na ponta de varejo e é esse preço que as empresas reclamam.
Folha - Os frigoríficos do Estado também foram alvo da fiscalização da Receita Estadual. A Secretaria da Fazenda chegou a criar a Operação Vigília do Boi. O senhor chegou a declarar que a sonegação atingia 40% no setor da carne. O que mudou depois disso?
Gionédis - A campanha surtiu efeito. Não agimos com o intuito somente de penalizar. Nós temos atuado muito na orientação. Nos frigoríficos, ficamos 30 dias, não para multar, mas com o objetivo de estabelecer um parâmetro.
Folha - O que se conseguiu de positivo?
Gionédis - Só para se ter uma idéia, teve frigorífico onde o abate de boi cresceu 380% da média que tinha para aquele determinado mês. E tem mais um detalhe, a Vigília do Boi foi feita no período de entressafra, quando normalmente o abate de bois é menor. Nós estamos preparando uma nova vigília, que vai ser nos próximos dias. Desta maneira, poderemos traçar um comparativo entre o período da safra e da entressafra. Temos que estabelecer um parâmetro.
Folha - O senhor vai ficar no cargo para acompanhar os trabalhos ou vai se desincompatibilizar para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa ou Câmara dos Deputados nas eleições de 98?
Gionédis - Eu não sou candidato a nada. Nem a síndico, porque moro numa casa. Eu sou um soldado do governador Jaime Lerner. Cumpro minha função na Secretaria da Fazenda. Nesse governo, já passei por duas Secretarias (Casa Civil e Governo)... o futuro a Deus pertence.
Folha - No meio político, a candidatura do senhor é dada como certa.
Gionédis - Mas não é verdade. Não sou candidato, pode ter certeza que continuarei na Secretaria da Fazenda. Tenho certeza de que o Paraná fechará 98 muito tranquilamente no que se refere às finanças, como fechou 97. O Paraná pagou suas dívidas, os salários e os 13º do funcionalismo. Só 30% dos municípios tinham dinheiro para pagar o 13º e o Estado pagou. É a prova inconteste que o Paraná não está quebrado, como dizem os adversários políticos.





