No distrito de Paiquerê, a região de Londrina com maior número proporcional de famílias na faixa mais baixa de renda, são comuns histórias como a da produtora rural Bruna Rafaela dos Santos, de 20 anos. O rendimento mensal médio da residência, onde ela mora com o marido, o servente de pedreiro Júnior Cândido Barbosa, uma sobrinha e a mãe, é de aproximadamente R$ 400, sendo que R$ 135 são provenientes do programa Bolsa-Família, do governo federal.
''Temos muitas dificuldades. Para arranjar o que comer, você se vira. Mas não sobra nada do que ganhamos'', diz Bruna. Os quatro moram em um barraco de madeira, localizado numa área de invasão e dividido em dois cômodos. Em um deles, amontoam-se cama, sofá, TV, geladeira, fogão e brinquedos. No outro, mora a família da prima de Júnior. ''No ano que vem, vou mandar currículo para todo lugar, para conseguir um serviço fixo, registrado, para ver se as coisas melhoram'', desabafa Bruna.
Fabiane Alves de Souza, 39 anos, vizinha de Bruna, também trabalha ''na roça''. Com uma renda de aproximadamente R$ 30 por dia (''às vezes, falta serviço''), sustenta três filhos. O mais velho, de 19 anos, era o único que ajudava na renda da casa. ''Ele trabalhava na Copel e sofreu um acidente. Caiu um poste em cima da perna dele. Depois, ele pediu as contas'', relata Fabiane.
''A gente queria que abrissem uma fábrica na região, onde o pessoal daqui pudesse trabalhar. Muita gente tem que levantar de madrugada para trabalhar longe de Paiquerê'', descreve.
Uma funcionária pública que trabalha na localidade disse à FOLHA que não sabe por qual motivo Paiquerê tem uma renda média inferior. ''Às vezes, muitas pessoas não conseguem um trabalho melhor por falta de estudo, ou pela distância (do distrito para a sede de Londrina). Mas aqui tem mesmo muita gente em situação precária, que tem que ser atendida pela assistência social'', defende a servidora.

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