Não pague contas sem verificar o consumo
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sexta-feira, 03 de setembro de 2004
Andréia Fernandes<BR>Agência Estado 
São Paulo - Uma conta de água, luz, gás ou telefone mais alta que o normal pesa no orçamento mensal de qualquer família. A reação da maioria das pessoas, porém, diante do temor de ter um serviço essencial cortado, é pagar sem contestar. ''O brasileiro tem mania de aceitar a conta sem olhar mais apuradamente para as próprias despesas'', afirma Leila Cordeiro, assistente de direção do Procon. Segundo a especialista, no entanto, é preciso prestar atenção.
Geralmente, o consumidor só resolve investigar um possível problema quando a fatura vem com valor tão alto que se torna impossível a sua quitação. Foi o que ocorreu a Ivan Belato. Após receber uma carta da companhia de água avisando que seu consumo estava muito alto, o técnico em informática surpreendeu-se com uma conta de exorbitantes R$ 1.700. ''Simplesmente não dava para pagar'', afirma. Com medo de ter o abastecimento cortado, Belato procurou o Serviço de Atendimento da companhia, que fez inspeções em sua casa e descobriu que havia um vazamento no subsolo. A companhia deu um desconto de 50% e o restante foi parcelado em quatro vezes. ''Mesmo assim, foi um belo rombo nas minhas despesas mensais, pois gasto pouco de água e não contava com isso'', diz.
Segundo o advogado especializado em defesa do consumidor Rogério Corigliano, facilitar o pagamento de contas muito altas é uma liberalidade da empresa. ''Legalmente, ela não é obrigada a oferecer o parcelamento.'' Ele alerta, porém, que em alguns casos a ''culpa'' é do fornecedor. ''Nos serviços de água, gás e luz, por exemplo, erros na leitura do consumo e defeito nos medidores devem ser imediatamente assumidos pela empresa'', informa. Já quando são detectadas irregularidades na linha telefônica, como clonagem, o fornecedor deve devolver o que foi cobrado.
Leila Cordeiro ressalta, ainda, que o fornecimento não pode ser interrompido enquanto o débito estiver sendo discutido. ''O Código de Defesa do Consumidor prevê que os serviços essenciais devem ser fornecidos ininterruptamente'', completa.


