Não iremos engolir um vírus político
Indignação. Esse foi o sentimento dos pecuaristas envolvidos na confirmação de seis novos focos de febre aftosa no Paraná. Veterinários alegam que nenhum bovino apresentou sinal clínico da doença, tanto que o vírus sequer foi isolado pelos exames laboratoriais. A única certeza que fica é que essa ''crise'' ainda está longe de terminar. Dois dos pecuaristas envolvidos nessa questão já impetraram ação na Justiça Federal de Londrina para discutir a suspeita do foco e outros processos devem chegar ainda nesta semana.
O proprietário da Fazenda Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), Alexandre Turquino, lembrou que sua propriedade ficou 120 dias em observação e que, neste período, nenhum dos seus 82 animais apresentou sinal clínico de aftosa, ''como atestam os laudos da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento'' (Seab). ''Certamente iremos tomar todas as medidas cabíveis, não iremos engolir um vírus político e um foco decretado por técnicos do ministério (da Agricultura)'', salientou.
Já o coordenador do curso de Veterinária do Cesumar (Maringá), Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal, classificou a ''ocorrência de novos focos'' de decisão arbitrária e autoritária. ''Dentro da ordem e da legalidade iremos questionar tudo isso, lutar por algo justo. Recebo essa notícia com tristeza e indignação, mas iremos agir com tenacidade'', disse. A propriedade é uma fazenda-escola e tem 460 bovinos de várias raças, entre eles animais considerados de elite. A confirmação do foco não deve trazer prejuízos às aulas ministradas na propriedade.
Já o veterinário da Fazenda Santa Izabel, Clayton Lopes de Paula, classificou a decisão de ''irresponsável''. ''Nenhum animal apresenta sintomas e isso está acontencendo porque um documento da Seab declarou que os bovinos apresentaram lesões cicatrizadas não características de doenças vesiculares, o que não está correto'', frisou. Procurado pela imprensa, Francisco Valias Didier, proprietário da Fazenda Pedra Preta vizinha de cerca da Fazenda Cesumar, preferiu não se pronunciar.
A reportagem não conseguiu contato com os proprietários das fazendas São Paulo e Alto Alegre, de Loanda. (F.M.)





