Há dois meses, o feirante Ernesto Magalhães, 72 anos, trocou a antiga balança em L (Filizola) - que hoje não é mais fabricada - por uma eletrônica. ''A outra era muito pesada e difícil para transportar'', justifica ele, acrescentando outro ponto favorável: ''A eletrônica é mais precisa. Na antiga, a gente deixava passar até 100 gramas para satisfazer o cliente'', argumenta o feirante da Avenida Saul Elkind, na Zona Norte de Londrina.
Assim como Magalhães, a maioria dos feirantes faz uso das balanças eletrônicas. Uma volta pela feira livre, no domingo de manhã, comprova que a tecnologia invadiu as barracas de frutas, verduras e cereais. Cerca de 90% dos feirantes utilizam balanças eletrônicas a bateria. Os poucos que ainda resistem, preferem as balanças em L ou a velha e boa balança romana - aquelas de peixeiro que usam um prato apoiado com correntes em um pêndulo que marca os gramas.
Milenares, as balanças surgiram na antiga civilização egípcia, em torno de 5000 A.C. De lá para cá, desenvolveu-se tipos cada vez mais aperfeiçoados, até as modernas balanças eletrônicas. Elas dominam o mercado varejista, inclusive as feiras livres. Dizem os comerciantes que a fabricante Filizola, que já liderou o mercado, não conseguiu acompanhar a evolução tecnológica deixando o espaço ser ocupado pela Toledo, que fabrica as balanças mais modernas do País.
Com o desenvolvimento da indústria de equipamentos, há, hoje em dia, uma grande variedade de balanças, desde as muito simples até aquelas eletrônicas, digitais e ''plugadas on-line'', com o computador do escritório e o controle de estoques. Detalhe: por serem mais sofisticadas, elas exigem manutenção periódica e especializada.
As poucas balanças antigas que existem na feira da Avenida Saul Elkind são tratadas com carinho pelos feirantes, que as guardam como relíquias. É o caso de Jovina Monteiro, que utiliza uma balança de peixeiro (romana) há mais de 30 anos.''Esta aqui é mais velha que meu filho. Já usava antes da feira existir quando vendia frutas e legumes no sítio'', conta Jovina, que não troca a balança por nada. ''Gosto muito desta balancinha'', justifica a sitiante, que frequenta a feira desde 1981. Ela e o marido ajudaram a fundar a feira, que hoje ocupa pelo menos 10 quadras da avenida.
Mais novo que a balança, o filho de Jovina, Ivan Monteiro, 26 anos, destaca as vantagens da antiga '' balancinha'' . ''É mais precisa que qualquer outra. Essa aqui não rouba o freguês. Já a digital pode ser programada'', compara ele, mostrando vários selos de aferição do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) colados no prato bastante gasto e amassado pelo tempo. ''Quando você pesa o cliente está de olho, não tem onde tirar e as pessoas confiam na gente'', diz ele.

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