Washington (EUA) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem, em Washington, onde participou de reuniões com o G-20 na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) irá discutir, na reunião de amanhã e quarta-feira, a magnitude do ciclo de alta de juro que se aproxima, que é o próximo passo para saída da política monetária acomodativa. A Selic está atualmente em 8,75% ao ano.
Meirelles também alertou os mercados para não tentarem encontrar ''sinais'' sobre o tamanho dos aumentos a partir de atas e comunicados anteriores. ''A mensagem que eu dou aos players é não tentar ler nas entrelinhas do que o Banco Central disse em atas ou no relatório de inflação (e tentar descobrir) uma sinalização de um ou outro membro do comitê. Não há sinais'', afirmou.
O presidente do BC manifestou ainda a sua preocupação com o comércio exterior brasileiro. Segundo Meirelles, a desvalorização da moeda chinesa, o yuan, em relação ao dólar afeta o desempenho das exportações brasileiras, uma vez que 7% do total enviado ao exterior ia para a China antes da crise e esse número praticamente dobrou depois dela.
No entanto, ele disse que qualquer movimento em direção à valorização da moeda chinesa deve ser tratado como parte de uma questão mais ampla, de como reequilibrar a economia global de modo que países com grandes superavits em conta corrente, como a China, se tornem mais dependentes do consumo doméstico, enquanto nações onde o consumo interno é mais forte, como os Estados Unidos, consigam impulsionar a poupança interna.

mockup