Não há motivo para perder o sono
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quinta-feira, 03 de julho de 2008
Agência Estado 
Brasília - Na tentativa de transmitir uma mensagem de tranquilidade com relação ao aumento dos preços no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem no Museu da República, durante o lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar, que ''não há motivo para se perder nem meia hora de sono'' com a inflação. ''O que nós precisamos é estar atentos para que a inflação não fuja do controle.'' O plano é uma das apostas do governo para estancar a evolução dos preços de alimentos. O programa tem como meta aumentar a produção da agricultura em 18 milhões de toneladas, até 2010.
Lula disse que entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o que tem a inflação mais controlada. ''No Brasil temos uma situação tranquila'', disse. Para ele, há no País especulação com as expectativas de inflação. ''Aparece um ou outro que quer ganhar dinheiro especulando e inflacionando as expectativas inflacionárias'', afirmou.
Lula também criticou a especulação no mercado futuro de petróleo no exterior. Essa especulação, segundo ele, é tão grande quanto o tamanho do consumo real de petróleo da China. ''Tem uma China real e uma China irreal, que é essa especulação'', disse. O presidente sugeriu que essa especulação pode estar sendo feita por fundos de pensão norte-americanos, que ''quebraram a cara na crise do subprime''.
O presidente disse que pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e à sua equipe para que aprofundassem uma avaliação técnica sobre esse tema e sobre a alta dos preços dos alimentos e atacou os críticos do biodiesel.
Lula disse que a crescente demanda mundial por alimentos é uma ''grande oportunidade, uma oportunidade extraordinária para o Brasil''. Ele voltou a afirmar que o aumento da demanda mundial por alimentos não é um problema do Brasil, que tem, solo, terra, água e capacidade tecnológica para aumentar a produção. Segundo o presidente esse deve ser um problema para outros países como Suíça e Japão. Ele observou,porém, que esses países têm dinheiro para comprar alimentos.
O presidente defendeu a transferência de tecnologia agrícola do Brasil para outros países e lembrou que a Venezuela, por exemplo, importa tudo o que consome.


