Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que o governo vai estudar a situação dos frigoríficos no país antes de tomar medidas para resolver os problemas de crédito para o setor. Stephanes afirmou que não está definido nenhum pacote de injeção de crédito por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
''Não há medidas ou pacote agora. É preciso sentar com o Ministério da Fazenda e da Agricultura para discutir a questão do crédito'', afirmou. ''Precisamos saber o que está acontecendo'', acrescentou Stephanes, que participava de audiência pública na Comissão de Agricultura do Senado.
Durante os debates, o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que os frigoríficos encontram dificuldade para obtenção de crédito e para rolar as dívidas em um momento de queda no preço da carne.
Giannetti disse que já pediu ao Ministério da Fazenda uma solução para a liberação de créditos tributários por parte do governo federal. Segundo ele, as empresas vinculadas à associação possuem R$ 600 milhões em créditos de PIS/Cofins, o que daria um alívio ao setor em termos de recursos para capital de giro.
''A Receita demora até um ano para reconhecer esses créditos. O que estamos pedindo ao Ministério da Fazenda, e já tivemos várias reuniões sobre o assunto, é garantia de liquidez desses créditos.''
De acordo com dados da Abrafrigo (Associação Brasileira da Indústria Frigorífica), 50 frigoríficos já fecharam as portas ou suspenderam abates nos últimos meses, de um total de 750 empresas no país nesse setor. A suspensão das atividades representou a demissão de 15 mil trabalhadores.

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