Nenhuma nova indústria está entre os 82 empreendimentos que pretendem se instalar em Londrina ou que já estão funcionando, mas ainda não obtiveram alvará definitivo da Prefeitura. São empresas consideradas polos geradores de tráfego (PGT) e, portanto, necessitam de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Na lista, obtida no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), estão quatro indústrias já existentes na cidade, que estão apenas mudando de endereço.
As escolas representam a maioria dos novos empreendimentos. São 17 entre os 82, ou 20% do total. Depois vêm 10 igrejas (12%), 9 supermercados (11%), 8 empresas de comércio varejista (9%) e 7 do ramo imobiliário (8%).
Segundo o secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, está muito difícil atrair indústrias para o interior. "As indústrias recebem matéria-prima, processam, vendem para o mercado interno ou externo. E a proximidade do porto, por este motivo, é muito importante para elas. Além do mais, temos um custo de pedágio muito alto para chegar ao interior", declara.
De acordo com ele, a saída é buscar indústrias de alto valor agregado, na qual o custo logístico não seja relevante. O secretário citou como exemplos setores de medicamento e aeronáutico. Segundo Barros, sua cidade, Maringá, está investindo nessas áreas. "Longe dos portos, precisamos de indústrias de alto valor agregado, que podem pagar inclusive frete aéreo para trazer matéria-prima e insumos", declara.
Na opinião do secretário, no entanto, as cidades não precisam necessariamente de indústrias para se desenvolver. "Um setor de serviços forte também é fator de desenvolvimento econômico. Camboriú (SC) é uma bela cidade e não tem indústria", afirma.
Francisco José Gouveia de Castro, economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), diz que não é bem assim. "A indústria tem um efeito de encadeamento sobre os outros setores maior que o comércio e os serviços", ressalta. Além disso, destaca, a indústria gera empregos com salários maiores que os outras áreas.
Para Bruno Veronesi, presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), não há como uma cidade se desenvolver sem industrialização. Ele diz que a atual administração municipal está empenhada em buscar investimentos para a cidade, mas que antes precisa aprovar o novo Plano Diretor na Câmara e criar dois parques industriais, um na zona norte e outro na zona sul.
"Se hoje chegasse uma indústria para se instalar na cidade, eu não teria um terreno para doar a ela", explica. O plano diretor, que está em tramitação no Poder Legislativo, estabelece onde os empreendimentos industriais podem ser implantados. "O plano vai definir as zonas industriais 1, 2, 3 e 4, da menos poluente a mais poluente",afirma.

mockup