''Não há campo de manobra''
Não há campo de manobra
O economista José Júlio Senna, diretor da consultoria MCM e ex-diretor do Banco Central, diz que o estabelecimento de metas de inflação pelo governo pode ser uma arma para os sindicalistas, mas observa que o alto desemprego e o desaquecimento da atividade econômica atenuam as pressões para a indexação salarial. As metas de inflação estabelecem uma perspectiva de inflação futura. Os sindicatos vão continuar pressionando pela reposição da inflação passada. Mas com o atual desemprego e a redução de margens dos empresários, fica difícil ter campo de manobra para pressões salariais, diz Senna.
Na indústria, a maioria das negociações salariais ocorridas no primeiro semestre contemplou reajustes abaixo da inflação. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dos 31 acordos coletivos assinados de janeiro a maio, 44% estabeleceram reajustes inferiores ao INPC (índice do IBGE que apura a inflação para os consumidores), 24% concederam reajustes no valor do índice e 32% tiveram reajustes acima.
Os bancários, que têm data-base em setembro, por exemplo, já decidiram que vão pedir reajuste de 9,3% (reposição de perdas desde o início do Plano Real) e reajuste automático (gatilho) sempre que a inflação acumular variação de 3%. São 300 mil trabalhadores em todo o país, sem contar os 120 mil do Banco do Brasil e da CEF, que negociam em separado. O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, diz que a categoria não está pedindo muito, considerando o lucro que os bancos tiveram com a desvalorização.
A pauta de reivindicações deverá ser entregue no início de agosto, mas o negociador da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), Magnus Apostólico, já demonstra que as negociações serão difíceis. Reajuste de 10% é inimaginável. Gatilho, nem pensar. É reindexar a economia, o que representa um tiro no pé dos próprios trabalhadores. O argumento usado pelo negociador dos bancos espelha uma opinião comum aos demais setores, que alegam não ter condições de aumentar seus custos. Segundo ele, a reindexação dos salários representaria a antecipação de aumentos de preços e tarifas.





