É lenda afirmar que para fazer sucesso na Bolsa e ganhar um dinheiro extra, é preciso aplicar muito dinheiro, afirma o assessor de investimentos Mehanna Hamad Mehanna. Ele apenas aponta que dependendo do valor, em comparação ao gasto operacional, não é lucrativo investir pouco (veja tabela de custos). ''A valorização é dada em percentual, então todos ganham igual. O montande de saldo, aí sim, vai depender do capital inicial. A Bolsa é uma oportunidade para qualquer tipo de investidor que deseja apenas multiplicar o quanto ganha'', esclarece.
Os custos operacionais de compra e venda de ações são basicamente três: corretagem (empresa que realiza as operações para o investidor); custódia (companhia brasileira de liquidação e custódia); emolumentos (pagos para a Bovespa). A custódia é um orgão que ''guarda'' as ações para o investimento. Caso a empresa do investidor venha a falir, ele não perde os papéis porque estão a salvo pelo governo federal.
A lição de comprar na baixa e vender na alta é a primeira a ser aprendida pelo novo investidor. Entretanto, Mehanna alerta que nem sempre é bem assim. ''O mercado de ações é imprevisível e cheio de pontos míticos que precisam ser derrubados, para que o investidor enxergue a oportunidade. O primeiro deles é que Bolsa é dinheiro rápido. Nada disso! O investimento seguro é fruto de uma análise do desempenho da empresa que você vai comprar a ação. Ao comprar uma ação você torna-se dono de uma parte da empresa que lhe dará lucro no decorrer do tempo, no desempenho dela e não na especulação financeira'', diz.
O que Mehanna quer dizer é que o iniciante precisa antes de tudo, saber qual o motivo do investimento. Uma aposentadoria mais confortável ou a compra de um carro no próximo ano? ''A curto prazo, as ações valorizam de acordo com o humor de mercado. A longo prazo, o investidor ganha com o crescimento contínuo da empresa, que agora ele é sócio. Ter visão de sociedade é crucial para os sucesso. A renda variável não significa perdas e sim, estar aberto as oscilações que podem representar também ganhos maiores'', afirma taxativamente.
O cirurgião plástico Adel Amado Bark é um apaixonado por Bolsa e mesmo na crise, continua a investir, comprando ações de empresas sólidas, a preço baixo. ''O curso me deu segurança para tomar decisões e tirou de vez da minha cabeça a ideia de investir a curto prazo na ilusão de fazer dinheiro do dia para a noite. Cerca de 70% do meu capital está aplicado em empresas de excelente desempenho. O restante eu especulo e ajo com emoção, que faz parte do negócio também. Tenho ciência que o momento é instável, mas não vou desistir porque penso no saldo final e não no preço da ação em um período pequeno'', confessa. (C.P.)

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