Não confirmação de venda gera protesto em Cascavel
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Paulo Pegoraro 
A falta de perspectiva para a reativação do frigorífico de Cascavel do grupo Chapecó está alarmando famílias de trabalhadores urbanos e rurais. Os 294 funcionários da indústria estão completando três meses sem receber salários. Fornecedores de frangos para o abate (parte deles acampada na empresa) estão sem a sua principal fonte de renda, endividados no comércio e bancos com empréstimos que fizeram para implantar os aviários, e sem que haja outras empresas do setor em condições de absorver a produção. No total, cinco mil pessoas estavam ligadas direta ou indiretamente ao frigorífico.
Ontem, a preocupação das famílias aumentou, porque não foi confirmada a informação sobre a venda das unidades da Chapecó em Santa Catarina, Paraná e São Paulo, o que levaria à reativação do frigorífico. O grupo argentino Sociedade Macri (Socma) tem interesse na compra, mas segundo seu diretor, Dácio Pozzi, há apenas negociações sem nenhuma definição. A maior dificuldade para o negócio ser concretizado é a recomposição das dívidas bancárias da Chapecó, de mais de R$ 300 milhões, o dobro de seu patrimônio.
O frigorífico parou de operar no final de 96, logo depois de 450 avicultores terem contraído os empréstimos. Um grupo de homens, mulheres e crianças, representantes das demais famílias, mantém há quatro meses a ocupação da sede administrativa da Chapecó. Outros já realizaram greve de fome e ocuparam agências bancárias, mas a situação não se alterou, e hoje precisam se manter com cestas básicas de alimentos fornecidas pelo Estado. É uma situação humilhante para quem sempre sobreviveu de seu trabalho, afirma José Lino Bergamin, presidente da Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste do Paraná, que representa os avicultores.
O desespero agora chega aos trabalhadores urbanos, acrescenta Valdevino Pereira de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação, que representa os 294 funcionários que estão sem receber salários. Além do temor de não receber, as carteiras profissionais estão retidas na Chapecó, o que dificulta nova colocação no mercado de trabalho. Valdevino de Oliveira chama atenção para o fato inusitado de uma empresa estar inativa, mas ao mesmo tempo não dispensar funcionários exatamente porque não pode pagar o que lhes deve.
Os funcionários realizarão assembléia hoje, com presença de representantes do Ministério do Trabalho, e possivelmente da empresa, na expectativa de a situação seja resolvida em definitivo. Eles exigem o pagamento dos atrasados (caso contrário, irão à Justiça do Trabalho) e que a Chapecó os informe se há perspectiva reativação da unidade. De outra forma, os funscionários querem que a empresa faça a demissão em massa para que possam buscar outro emprego.


