São Paulo A recomendação mais frequente para evitar as tão temidas dívidas é dar preferência para compras à vista. Controlar as despesas e ter cuidado com financiamentos também são boas armas contra futuros problemas. Enfim, o tempo é de instabilidade, com altos índices de desemprego, e de juros elevados cobrados tanto pelas instituições financeiras como pelas administradoras de cartões de crédito. Para não entrar na bola de neve do endividamento, portanto, o melhor é a precaução.
Seguindo a sugestão do professor de finanças da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-EASP), Fábio Gallo, o consumidor deve fazer um planejamento detalhado das suas receitas e gastos mensais. ''Para evitar que o orçamento estoure no fim do mês, anote em planilhas eletrônicas ou em sua agenda todos os gastos e receitas líquidas'', explica o professor.
Outra dica para não entrar no vermelho é adotar uma verdadeira ''tática de guerra'' contra gastos desnecessários. O professor Fábio Gallo ensina que os gastos podem ser divididos em quatro fases: alimentar, básico, controlável e desnecessário conhecido também como método ABCD. Na fase A, de alimentar, o consumidor deve procurar as promoções nas feiras livres e supermercados, além de cortar os supérfluos. Os gastos básicos, a fase B, como contas de água, luz, gás, aluguel, condomínio, escola das crianças, são despesas fixas e não há como cortá-las.
Porém, a partir da fase C, chamada de controlável, o consumidor já pode excluir algumas despesas como mensalidade de academias e cursos livres, internet a cabo, assinatura de jornais, revistas e TV a cabo. Já os gastos desnecessários, a fase D, são os supérfluos como manter cinco cartões de crédito ou a compra e financiamento de móveis e eletrodomésticos novos.
Os financiamentos, aliás, merecem uma atenção especial. Quem pretende contratar uma linha de crédito ou financiar um bem precisa estar atento às taxas de juros, que variam muito entre as diversas opções do mercado. A recomendação dos especialistas é fazer empréstimos somente em casos de emergência.
O consumidor deve evitar linhas de crédito como o cheque especial e o cartão de crédito. Segundo sugestão do professor e consultor de finanças pessoas do Laboratório de Finanças Pessoais da Universidade de São Paulo (Labfin-USP), Gustavo Petrasunas Cerbasi: ''para quem tem uma dívida no cheque especial, o melhor a fazer é trocá-la por um empréstimo pessoal, que oferece juros mais baixos''.
O cheque especial é uma armadilha para o correntista. Conforme lembra o advogado do Idec Marcos Diegues, ''os juros do cheque especial desestruturam as finanças de vez e viram uma bola de neve''. Para se ter uma idéia desse desequilíbrio financeiro em números, enquanto a Selic caiu de 26,5% para 26% ao ano, a média das taxas do cheque especial cobradas pelos bancos brasileiros, de acordo com a última pesquisa realizada pelo Banco Central (BC), em maio, estava em 177,60% ao ano. A média das taxas do empréstimo pessoal marcou 98,09% ao ano. Já a média das taxas de financiamento para aquisição de bens, segundo o estudo do BC, estava em 55,28% ao ano.
No caso do cartão de crédito, o problema começa na rolagem da dívida, quando o consumidor paga apenas o mínimo necessário por mês e o valor do endividamento vai aumentando com os juros por atraso e rotativo. Para evitar essa situação, o melhor é pagar a fatura integralmente na data do vencimento, a fim de evitar os grandes prejuízos financeiros com os juros altos.

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