O Dia dos Namorados, num sábado de sol, encerrou com perfeição uma semana movimentada para o comércio varejista de Londrina. No final da manhã, o vaivém de consumidores no centro da cidade era intenso. Boa parte deles ainda pesquisava o preço dos produtos. Por isso, a expectativa era que a tarde fosse ainda mais tumultuada nas ruas e estabelecimentos.
Para Daniel Terenci, proprietário de uma loja de lingeries, o Dia dos Namorados é melhor que o Dia das Mães. Segundo ele, as vendas cresceram 30% nos últimos dias. ''A maioria dos clientes foram mulheres em busca, principalmente, de fantasias nos tons branco, vermelho e preto'', completou o comerciante. Na loja de moda jovem, onde Patrícia Príamo é gerente, oito funcionários free-lancers foram contratados para reforçar a equipe nesta data. De acordo com Patrícia, os clientes chegaram decididos a comprar algo e saíam com peças que valiam entre R$ 50,00 e R$ 100,00. Uma deles era a técnica em segurança do trabalho Fernanda de Castro que buscava o primeiro presente para o namorado. ''Vou levar a jaqueta jeans que ele gostou e talvez uma calça'', disse a moça que pretendia pagar a compra no cartão de crédito.
A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) estima que, este ano, o Dia dos Namorados será 10% mais rentável que 2003. Na opinião do diretor-executivo Marcelo Cassa, o primeiro trimestre foi muito bom devido às promoções no final do verão. Em compensação, a inadimplência também cresceu e mantém-se estável desde então. Num dia atribulado, como ontem, a experiência dos funcionários é fundamental para evitar os calotes. ''Nosso forte é o crediário e, por isso, todo cuidado é pouco. Analisar o comportamento do cliente é uma estratégia importante quando o tempo de atendimento é curto. A segurança, neste caso, exige ainda consultas ao SCPC e Protecheque'', disse Cassa que é proprietário de uma relojoaria.
O representante comercial Gustavo Lopes estava feliz com a surpresa que faria à namorada. A poucos meses do noivado, o rapaz comprou alianças de compromisso para reforçar a união. ''É um desejo dela que eu fingi não atender para causar mais impacto agora'', disse Lopes que acompanhará as alianças com um par de tênis. O comerciante André Luis Schiavon é um dos tradicionais adeptos às rosas vermelhas que ainda são as preferidas entre as flores. ''Na verdade, o buquê será um acessório à blusa que comprei'', comentou.
Segundo Ney José Machado Filho, proprietário de uma floricultura há 36 anos no centro da cidade, o costume de presentear com flores é maior hoje em dia, mas ainda perde para roupas, calçados e perfumes. ''A queda no poder aquisitivo incentiva o consumidor a oferecer produtos mais duráveis e, de preferência, úteis'', justificou Filho que, nesta semana, atendeu clientes que gastaram até R$ 250,00 para agradar a namorada. Graças aos pedidos de última hora, sua expectativa era trabalhar, pelo menos, até às 20h.

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