Cláudia Lopes
De Londrina
O secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Yoshiaki Nakano, disse ontem ao deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), em São Paulo, que acha difícil a revogação da lei, de junho deste ano, que limita a compra pelas pequenas empresas paulistas de mais de 20% de mercadorias em outros Estados, sob pena de perder o enquadramento ao Simples. ‘‘Nakano disse que o governo de São Paulo tem sofrido uma grande pressão do empresariado paulista a favor da lei’’, disse o deputado, ontem, à Folha.
Hauly também tratou do assunto com o governador Mário Covas (PSDB), em uma conversa rápida durante o velório do ex-governador Franco Montoro. ‘‘O governador Covas deu algumas explicações rapidamente mas não deixou transparecer se está aberto ou não a uma possível revogação da lei. Fiquei de voltar a falar com ele na próxima semana, por telefone’’, disse. ‘‘Vamos continuar conversando, mas acredito que temos que estar preparados para ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal’’.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, já enviou carta ao Secretário da Fazenda do Estado do Paraná, Giovani Gionédis, alertando sobre os riscos da aprovação de uma lei semelhante no Paraná. ‘‘Muitas empresas paranaenses seriam prejudicadas’’, afirmou. Orsi considera a lei paulista absurda por criar uma reserva de mercado que não tem justificativa coerente e que, na verdade, ‘‘fecha as porteiras de São Paulo’’ para produtos de outros Estados.
‘‘Se o Paraná copiar esta iniciativa, o absurdo será ainda mais grave. Teremos uma segunda distorção igualmente danosa, já que muitas empresas paranaenses têm como fornecedores, únicos ou principais, grupos de outros Estados. Fechar a fronteira do Paraná, ou melhor, limitá-la como fez São Paulo, será inviabilizar um grande número de negócios’’, completou Orsi.

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