Nacionalidade não elege líder
Do Financial Times
A busca por um novo diretor-gerente para o Fundo Monetário Internacional (FMI) se tornou um embaraço para a Europa.
As raízes da farsa são a opinião européia de que o cargo está reservado a alguém da região, e a insistência do governo da Alemanha de que chegou a sua vez no rodízio. As idéias são absurdas.
A noção de que a nacionalidade de quem comanda o FMI importa é intrigante. Será que alguém supõe que ter um alemão à frente do FMI serviria melhor aos interesses alemães ou europeus? Este é um caso de amor-próprio.
O FMI é a mais importante das instituições econômicas internacionais. Se a Europa pretende reter seu direito a indicar o comandante do Fundo, é preciso que proponha alguém que atenda a pelo menos um de dois critérios: ele (ou ela) precisa ser um tecnocrata qualificado ou um político de peso, com reputação em administração macroeconômica.
Por acaso, a Europa dispõe de alguém que atende a ambos os critérios. Trata-se de Leszek Balcerowicz, o primeiro-ministro assistente da Polônia e autor das bem-sucedidas reformas econômicas de seu país.
Se os europeus optarem por não ser imaginativos indicando Balcerowicz, devem ser sensatos e escolher Giuliano Amato, ministro das Finanças italiano. A simples briga de nacionalidades não é construtiva e não serve como parâmetro.





