Pelo quarto dia útil consecutivo, a desconfiança com a Argentina fez o dólar comercial fechar no pico do real. A moeda norte-americana encerrou a semana ontem no preço máximo de venda, de R$ 2,59, em alta de 1,45%. Neste mês, o ganho frente ao real está acumulado em 12,02% e, em 2001, em 32,75%. Como a cotação do black não está acompanhando esse desempenho, o ágio do paralelo sobre o comercial foi reduzido ontem a 1,16%, ante média de 7% a 8% em períodos menos turbulentos.
As cotações do comercial dispararam na última hora de negócios por causa da corrida das tesourarias de bancos para compra para hedge (proteção). ‘‘Só um banco local adquiriu US$ 200 milhões na última meia hora de negociação’’, disse um diretor de câmbio de um banco dealer.
Os investidores não quiseram ir para o fim de semana desprotegidos por causa das incertezas sobre os desdobramentos das negociações do governo argentino com os partidos políticos em torno do pacote de ajuste fiscal proposto pelo ministro de Economia, Domingo Cavallo, na quarta-feira à noite.
O presidente argentino, Fernando de la Rúa, agendou para o fim da tarde de ontem uma reunião com os governadores do principal partido de oposição, o Justicialista. O objetivo do encontro é negociar propostas de modificação do ‘‘draconiano’’ pacote de ajuste fiscal argentino, que provocou forte turbulência no mercado anteontem.
Além disso, mais uma agência de classificação de risco reduziu os ratings argentinos ontem. A Moody’s Investors Service anunciou o rebaixamento do rating máximo da Argentina em moeda estrangeira de B2 para B3. O rating dos depósitos bancários em moeda estrangeira foi rebaixado de Br para Caa1. A classificação dos bônus governamentais argentinos denominados em peso foi rebaixado de B3 para B2.
Embora o humor do mercado tenha melhorado um pouco ontem, persiste a cautela entre os investidores em relação ao país vizinho. Para os profissionais de mesas de operação, a razão é que, apesar de os indicadores de desconfiança terem se ajustado ligeiramente, ainda apontam para o risco de eventual moratória ou desvalorização cambial. O risco país argentino subiu às 13h49 para 1.659 pontos-base e às 17h39 estava em 1.610 pb.
Durante o dia, o dólar comercial operou com forte volatilidade, oscilando 2,57% entre a mínima de R$ 2,525 (-1,10%) e a máxima de fechamento, a R$ 2,59 (+1,45%). O Banco Central voltou a atuar na ponta de venda, como já é praxe. A Bolsa paulista fechou com valorização de 1,17%.
JuroAnalistas prevêm que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deve manter a taxa de juro básica (Selic) em 18,25% ao ano em sua próxima reunião, na semana que vem, ou promover um pequeno aumento. Poucos apostam em baixa da taxa Selic. Para o presidente do Dresdner Asset Management, Demósthenes Madureira de Pinho Neto, se houver um aumento, deve ficar entre 0,5 e 1 ponto percentual. (Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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