Na ressaca da crise, Natal deve encolher
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de setembro de 1998
Pedro Livoratti 
A alta dos juros poderá interferir nas vendas de fim de ano, uma situação semelhante à ocorrida no ano passado, quando a crise internacional se abateu sobre as economias dos países asiáticos. O varejo ainda não começou a formar estoques, mas a expectativa é de que as compras sejam feitas fracionadas. Comerciantes vão ficar de olho no comportamento do consumidor, atento a possíveis oportunidades. No caso de aumento de demanda, as compras serão feitas imediatamente, aproveitando a agilidade da indústria.
O comerciante vai procurar sentir o dia-a-dia para comprar, prevê o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Valter Orsi. Segundo ele, o fracionamento na compra dos produtos se dará por dois motivos: a indústria está ágil para o fornecimento rápido. O outro está ligado à alta dos juros, que impossibilita o comerciante menos capitalizado de formar grandes estoques. Soma-se ainda a estes dois fatores a grande possibilidade de queda das vendas. A exceção pode ser somente o comerciante mais capitalizado, que na opinião do presidente da Acil, poderá apostar em formação de estoque. Acredito que aquele que já tem caixa começa em breve a comprar; o melhor investimento ainda é a promoção de vendas, afirma.
Em 97, os comerciantes de Londrina amargaram vendas aproximadamente 7% menores em relação ao Natal do ano anterior. Segundo Orsi, este decréscimo também vem sendo mantido no período janeiro/setembro de 98, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo com este panorama, Orsi acredita que ainda é possível que algum fato novo possa estimular o consumo neste Natal. De qualquer forma, acho prematuro falar em um final de ano negro, afirma. Para ele, as vendas deste ano devem empatar com o resultado do ano passado.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Igaraçu Louzada, também espera Natal semelhante a 97. Acho que diante das vendas retraídas durante todo o ano, será um resultado muito bom, afirma. Para o dirigente, o consumidor vai migrar para as compras à vista, fugindo dos juros altos. Isto vai beneficiar o comércio, que, segundo ele, deverá incentivar a compra à vista com preços menores. Acho que todos vão preferir vender mais barato para receber imediatamente. Louzada informa que a inadimplência é alta e assusta os lojistas. Além disso, o acesso ao crédito está mais difícil.
O presidente do Sindicato do Comércio informa que muitos lojistas já fizeram seus pedidos para as vendas de fim de ano e aguardam as mercadorias para o início de novembro. E adianta que os estoques são menores este ano. Para Louzada, os lojistas não podem sequer pensar em empréstimos para a formação dos estoques. Em caso de necessidade, informa ele, o melhor é aproveitar o financiamento direto ao fornecedor, o que representa pagar taxas até 50% menores.


