A má distribuição de renda e a estagnação da economia - que afetam tão fortemente o País - mostram as suas faces também na região de Londrina. A imagem do Norte do Paraná ainda existente no imaginário da população, de uma região rica e capaz de atrair grandes investimentos, parece estar perdida lá no passado. A realidade, hoje, é mais dura quando os números entram em análise. Dados da delegacia da Receita Federal de Londrina, que abrange 63 municípios, revelam que 73% da população têm rendimentos mensais declarados de até R$ 1,5 mil ou cerca de 4,2 salários mínimos.
Em um universo de 206.619 contribuintes (fora os que se declaram isentos), pelo menos, 46% deles são de Londrina. Comparando com o restante do Paraná e do Brasil, os números mostram que a Região Norte está mais pobre. No Estado, 70,7% da população recebe até R$ 1,5 mil por mês enquanto 65,2% dos brasileiros têm esta remuneração. Na faixa de rendimento de até R$ 1.058 mensais (as pessoas que se declaram isentas do Imposto de Renda), estão incluídas 42,7% da população regional. O índice é praticamente semelhante ao rendimento dos paranaenses (42,3%), mas superior ao rendimento do brasileiro (38,7% dos contribuintes).
Uma pequeníssima parcela -9,7% - recebe R$ 2,5 mil ou mais por mês. A análise é ainda pior se estes rendimentos forem comparados com o restante do Paraná e do Brasil. Pouco mais de 11% dos paranaenses e 14,3% dos brasileiros estão incluídos naquela faixa de rendimento. ''Os números revelam a má distribuição de renda do Brasil. Além disso, os dados confirmam o baixo dinamismo da economia brasileira (que apresentou uma das menores taxas de crescimento da América Latina) e, no caso da região, reflete ainda a qualidade do emprego gerado'', observa a economista Fátima Campos, doutora em Economia e professora da Universidade Estadual de Londrina.
No caso de Londrina deve-se considerar ainda o perfil do município baseado, principalmente, na prestação de serviço. ''Em geral o emprego industrial remunera melhor se compararmos com os demais setores. Em Londrina, o que temos visto é a proliferação do comércio e do emprego informais'', acrescenta a economista. Por conta dos baixos rendimentos, a restituição média dos lotes de Imposto de Renda Pessoa Física para os contribuintes da Região Norte são sempre menores do que as médias estadual e federal. Enquanto os valores médios de restituição apresentaram crescimento de 4% para os contribuintes brasileiros, para a população regional foi registrado um decréscimo de 7% nesses valores.
Por exemplo, em 2001 em média cada contribuinte da Região Norte recebeu R$ 801,90 de restituição; em 2006 (até o 5º lote, pago no mês passado) esse valor caiu para R$ 746,63. A média nacional dos lotes (até outubro) ficou em R$ 965,98. ''A tabela do Imposto de Renda ficou congelada durante muitos anos; as faixas de contribuição permaneceram fixas e, com isso, o limite para deduções também foi reduzido. Indiretamente as pessoas passaram a pagar mais impostos'', explica. Nesse caso estão incluídas as despesas médicas e as mensalidades escolares, que são reajustadas pelo menos uma vez por ano, enquanto os abatimentos por dependente na declaração não foram alterados.

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