O dólar comercial testou níveis históricos de preço ontem. Na máxima do dia, a moeda foi vendida a R$ 2,105, alta de 1,30% sobre quarta-feira, fechando em R$ 2,098. A falta de liquidez e a forte procura por dólar para hedge obrigaram a intervenção do Banco Central.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmou no início da noite que o governo fez três intervenções de venda no mercado de câmbio para frear a disparada da moeda. Sem revelar os volumes, Figueiredo disse que a atuação do BC foi necessária porque ‘‘o mercado adquiriu dinâmica própria e só ia para um lado’’ que era de alta. Fontes do BC afirmaram, no entanto, que nas duas primeiras intervenções foram vendidos US$ 800 milhões no total, em dois lotes iguais de US$ 400 milhões. Por meio de seu porta-voz, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que ‘‘vê com serenidade’’ a alta do dólar e observou que ‘‘assim como o dólar sobe, desce’’.’’
O diretor disse que, embora a primeira atuação tenha sido quando o dólar superou a cotação de R$ 2,10, não houve intenção de ‘‘tabelar preço’’. Ele voltou a repetir que o câmbio flutuante não tem piso nem teto. E o que vinha ocorrendo nos últimos dias ‘‘era o aumento da volatilidade e redução da liquidez’’.
Em Londrina, o dólar paralelo foi negociado ontem a R$ 2,06 para compra e R$ 2,16 para venda, mas algumas casas de câmbio operaram em nível mais alto, comprando a moeda norte-americana a R$ 2,08 e vendendo a R$ 2,20. Alguns atendentes ouvidos pela Folha disseram que o movimento no mercado de câmbio foi maior do que nos últimos dias, com predominância para a compra. ‘‘Parece que as apostas são de que a moeda vai subir mais porque poucos querem vender e muitos querem comprar’’, disse um deles. ‘‘As consultas de preços por telefone se multiplicaram. Não paramos de dar informações o dia todo’’, afirmou outro doleiro.
Juraci de Oliveira, caixa-câmbio da Sidney Câmbio e Turismo, em Curitiba, sentiu uma queda de 50% na venda e de 30% na compra da moeda. A agência trabalhava com as cotações de R$ 2,08 para compra e R$ 2,12 para venda. ‘‘Essa alta assustou as pessoas’’. Já o proprietário da Capitoltour Câmbio, Turismo e Viagem, Pedro Ramos, registrou aumento de 30% na venda da moeda. Segundo Ramos, a mudança do câmbio assustou as pessoas que estão com viagens marcadas para o exterior.
A histeria no mercado de câmbio deteriorou ainda mais as expectativas dos investidores em bolsas. Em Nova York, a Nasdaq voltou a dar um show de volatilidade: subiu 2,97% no seu melhor momento, mas fechou em baixa de 1,59%. O índice Dow Jones valorizou 0,58%. A Bovespa operou de olho no dólar e na Nasdaq, e fechou com perda de 1,20%. (Colaborou Adriana Ribeiro, de Curitiba)

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