Imagem ilustrativa da imagem Na pressão por reajuste, auditores ‘travam’ aduanas no Paraná
| Foto: Marcos Zanutto
Na sede da Receita em Londrina não houve manifestação aparente; Aeroporto Afonso Pena, na grande Curitiba, também sofreu operação padrão



O primeiro dia de paralisação de servidores da Receita Federal teve adesão de cerca de 90% nas duas principais aduanas paranaenses, localizadas em Foz do Iguaçu e Paranaguá. No Brasil, a estimativa do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco) é de que 80% a 90% tenham aderido. A categoria cobra o cumprimento de acordo com o governo federal de que encaminharia ao Congresso Nacional projeto autorizando reajustes, que teria sido acertado com a equipe da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Ao fim do dia, o Ministério deu sinais de que negociaria com a categoria.
Auditores da Receita Federal pleiteiam garantias de reposições salariais que chegariam a 20% nos próximos quatro anos e outros termos não remuneratórios, afirma o presidente da Delegacia Sindical (DS) de Foz do Iguaçu, Alfonso Burg. "Desde 2009, nós recebemos 15% de reajuste, bem abaixo da inflação."
As medidas teriam sido negociadas por cerca de um ano e acertadas, em compromisso por escrito, em março passado. Entretanto, já próximo ao recesso parlamentar, o presidente interino Michel Temer (PMDB) ainda não teria encaminhado o texto.
Para pressionar o governo, a categoria decidiu cruzar os braços às terças e quintas-feiras, inicialmente, em operações padrão. No primeiro dia de mobilização, ontem, apenas as cargas perigosas e as perecíveis passaram pela aduana de Foz do Iguaçu, o maior porto seco da América Latina. Segundo Burg, passam por dia entre 500 e 600 caminhões na aduana, que conta com 95 servidores. "Cerca de 5% não aderiu à paralisação", afirma.
Em Paranaguá, houve operação na Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), os dois recintos que dão acesso ao cais. Só o pátio de triagem da Appa tem capacidade para abrigar 1.400 caminhões e o Complexo de Silos de Graneis Sólidos pode absorver até 2.800 caminhões por dia.
Além da fiscalização no documento das cargas, também foi averiguada a situação dos veículos e dos motoristas, além da verificação de cabines – estas últimas, fora da rotina. "Em razão disso, criou-se uma fila grande para entrar nos dois recintos. Obviamente, os caminhoneiros ficaram um pouco aborrecidos por causa da fila, mas não houve incidente", conta o auditor fiscal Carlos Samway.
Alfonso Burg diz que houve adesão em todas as delegacias da Receita Federal do Paraná, apesar de ser mais visível onde há aduanas. A presidente do Sindifisco em Curitiba, Nadir Ribeiro, confirmou operação padrão no Aeroporto Afonso Pena, mas não tinha, no fim do dia, o balanço da atividade.
A FOLHA tentou, também, contato com a DS de Londrina, mas não obteve retorno. Na sede da Receita Federal, no centro da cidade, um vigilante terceirizado repassou a orientação de auditores para que fosse feito um agendamento por meio do telefone para atendimento.

No Brasil
Na tentativa de serem incluídos entre as categorias que terão reajustes salariais este ano, servidores da Receita realizaram operação padrão ao fiscalizar as bagagens de viajantes nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, de Viracopos, em Campinas, e do Galeão, no Rio de Janeiro. Em Brasília, cerca de 100 manifestantes chegaram a invadir a sede do Ministério, onde trabalha o chefe da pasta, Henrique Meirelles, na tentativa de serem atendidos, mas ninguém os recebeu.
Os servidores ouviram que o secretário executivo do Ministério, Eduardo Guardia, deverá recebê-los na próxima quarta-feira, 20, mas o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, teria acenado que pretendia mandar ainda ontem o projeto de lei que propõe ao Congresso os reajustes salariais de diversas categorias de servidores do Executivo. (Com agências)

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