As perspectivas do governo para os preços são as seguintes



Medicamentos - A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) analisa 11 casos de elevação de preços ocorridas em dezembro e um caso em janeiro. As indústrias são obrigadas a justificar todos os aumentos, desde novembro passado. As informações fornecidas até agora foram consideradas insuficientes pelo governo. Caso se verifique aumento injustificado, poderá ser aberto processo por abuso do poder de mercado, que poderá levar a multa de 30% do faturamento e 60%, em caso de reincidência. Consídera acredita, porém, que não haverá grande impacto nos preços, pois o setor aumentou sua margem de lucro nos últimos anos e poderá deixar de repassar ao consumidor eventuais aumentos nos custos.



Trigo - É o produto agrícola que mais preocupa o governo, pois o País importa 80% de seu consumo. Para evitar a elevação dos preços no mercado interno, como consequência da desvalorização do real ante o dólar, o governo poderá reduzir a tarifa de importação do trigo ou da farinha de trigo. Ocorre que, dos 8 milhões de toneladas importados anualmente pelo País, 5 milhões vêm da Argentina. A tarifa, nesse caso, já é zero. A redução das alíquotas do Imposto de Importação ajudaria no trigo vindo dos Estados Unidos e Canadá. Além disso, segundo explicou o assessor para Assuntos Agrícolas José Gerardo Fonteles, há uma tendência de queda na cotação do trigo no mercado mundial, devido ao crescimento da produção na América do Norte. Essa queda poderá anular o efeito da desvalorização do real.



Feijão - Não deverá ser necessário importar o produto, como ocorreu no ano passado, quando a quebra da safra nacional provocou escassez nas prateleiras. Neste ano, não há perspectiva de frustração de safra. Atualmente, está sendo colhida a produção do Paraná, e as estimativas são de que a safra nacional será suficiente para atender ao consumo, de 11 milhões de toneladas por ano.
Carne - O País importa uma parcela muito pequena de seu consumo. Portanto, a desvalorização não terá impacto sobre o preço.
Leite A produção nacional é de 20 bilhões de litros por ano, para um consumo de 22 bilhões de litros anuais. Portanto, a importação é pequena, e a desvalorização não deverá ter reflexo sobre os preços.



Combustível O governo deverá definir, nos próximos dias se repassará aos preços o efeito da elevação da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em um ponto percentual. Está descartado, porém, o repasse da desvalorização cambial.



Energia elétrica Os custos da produção de energia poderão ser afetados. No entanto, esse setor ganhou produtividade a partir das privatizações. Dessa forma, ainda que haja impacto da desvalorização cambial nos custos da produção, o preço final não será afetado.

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