Na lanterna da geração de emprego
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Aline Machado Parodi Reportagem Local 

Os dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), divulgados nesta quarta-feira (23) pela pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, mostram que 2018 foi um ano complicado para quem buscou uma vaga de emprego em Londrina. O município não conseguiu acompanhar o Brasil e o Estado na retomada dos postos de trabalho e fechou o ano com saldo negativo.
O fechamento de vagas com carteira assinada desacelerou, mas o volume de contratações ficou bem abaixo da média do Paraná. Entre os 60 maiores municípios do Estado, Londrina ficou na 51ª posição com variação entre admissões e demissões de -0,47%, a média foi de 1,8%. "Londrina foi um dos poucos municípios que teve queda", afirmou o economista Cid Cordeiro Silva.
Em números relativos, Jaguariaíva (Campos Gerais) foi o município com maior percentual de alta (9,35%). Na MRL (Região Metropolitana de Londrina) Ibiporã apresentou o melhor desempenho com crescimento de 4%, ficando na 14ª posição entre os 60 maiores municípios. Rolândia ficou em 42ª, Cambé, em 43º e Arapongas em 48º.
Os dados apontam a indústria de transformação e a construção civil como os maiores responsáveis pela queda no emprego. "Havia a expectativa da construção civil apresentar, em 2018, recuperação o que não aconteceu. A população ainda está com um alto nível de endividamento", disse o economista. A indústria teve variação negativa de 1,45%, a construção civil de 5,98% e serviços (0,15%). "Tudo foi ruim para Londrina. O perfil de economia de Londrina fez com que sofresse mais com a crise", ressaltou Silva.
O economista Joilson Giorno, professor da UEM (Universidade Estadual de Maringá), pontua que Londrina precisa pensar em planejamento de médio e longo prazo, focado em polos de desenvolvimento, para não ficar tão suscetível as crises econômicas.
Enquanto Londrina fechou 119 vagas no setor de serviços, Maringá registrou saldo positivo 2.429. Na somatória do ano foram 3.090 postos, crescimento de 2,21%. "O que acontece em Maringá? Ela investiu em serviços de saúde, informática e educação. Entendo que em Londrina faltam esses serviços chaves fortes. O polo educacional da cidade não cresceu tanto", avaliou Giorno.

ATÍPICO
Em dezembro, Londrina registrou saldo negativo de 1.224 postos de trabalho, uma variação de - 0,81%. De acordo com o secretário municipal de Trabalho, Emprego e Renda, Elzo Augusto Carreri, historicamente dezembro é um mês de saldo negativos em função das demissões de fim de ano, mas o desempenho surpreendeu. "Londrina vinha de uma retomada das vagas. Fechamos novembro com 600 vagas positivas, mas este ano foi atípico. Não teve nada que justificasse essa queda", declarou Carreri.
Mas ele ressaltou que, apesar do balanço negativo, há uma desaceleração na queda do trabalho com carteira assinada. Em 2017, foram fechados 2.014, contra 3.978 do ano anterior. Ele é otimista e acredita na recuperação dos postos de trabalho em 2019.
"Será um ano melhor. Já vemos aumento no fluxo de trabalhadores em busca de vagas e nas ofertas. Hoje (quarta-feira) temos 180 vagas no Sine. São 70 vagas de telemarketing para pessoas com deficiência, cerca de 20 vagas para costureiras, 30 para auxiliar de estoque", afirmou o secretário.
ESTADO
O Paraná registrou saldo positivo de 40.256 postos de trabalhos, alta de 1,57%, puxado pelo desempenho dos setores de serviços e comércio. Em 2018, foram 30.258 novas vagas abertas para o setor de serviços. O comércio, por sua vez, fechou o ano com saldo positivo de 9.426 novos postos.
De acordo com o economista do Observatório do Trabalho, Alexandre Chaves, os setores serviços e comércio, que mais se destacaram, são os que começam a impulsionar a economia paranaense. "São os setores mais procurados e que apresentam a possibilidade de um novo emprego para o trabalhador. Já o comércio se destaca por causa das compras de final de ano", disse.
As cidades que tiveram maior geração de empregos em 2018 foram Curitiba, São José dos Pinhais, Maringá, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa.
"O Estado e o Brasil cresceram, mas é um crescimento muito baixo, que ameniza muito pouco o desemprego. Neste ritmo vai demorar de quatro a cinco anos para recuperar o emprego", disse o economista Cid Cordeiro Silva.
Ele enfatizou que, além do desemprego, há outro aspecto que deve ser levado em conta. "A população está ocupada, mas é uma ocupação vulnerável. Ela trabalha menos. Há subutilização da mão de obra", afirmou.
Em nível nacional, esse foi o primeiro saldo positivo desde 2014, quando houve geração de 420,6 mil empregos formais.O setor que gerou o maior saldo positivo de empregos formais foi o de serviços, com 398,6 mil, seguido pelo comércio (102 mil).
Mas em dezembro, de acordo com a secretaria, houve retração no mercado formal. A queda no mês ficou em 334,4 mil postos, resultado de 961,1 mil admissões e 1,2 milhão de desligamentos.
Apenas o setor de comércio registrou saldo positivo (19,6 mil postos). A indústria da transformação foi o setor que registrou a maior retração (118 mil), seguida serviços (117,4 mil) e construção civil (51,6 mil). (Com Agências)


