Na hora de investir é preciso unir rentabilidade e segurança
O melhor refúgio para o investidor que quer combinar rentabilidade com menor risco continuam sendo os fundos DI. A indicação é do diretor de Renda Variável do Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira. O juro é o único instrumento de que o governo lançará mão para controlar o clima de nervosismo no mercado financeiro.
Os fundos DI são em geral indicados quando a tendência é de elevação dos juros, porque têm flexibilidade suficiente para acompanhar e incorporar rapidamente as taxas de juros correntes no mercado, via Certificados de Depósito Interbancário (CDIs). Os CDIs são títulos privados que garantem a troca diária de recursos em negócios interbancários.
O governo acena com recuo das taxas de juros. A condição necessária para a reversão de tendência de alta do momento, contudo, é a divulgação de medidas de ajuste fiscal e o apoio do FMI a elas mediante formalização de acordo de suporte financeiro ao País. Até lá, existe ainda a possibilidade de alta dos juros. Mas, mesmo que caiam, as taxas de juro estão tão elevadas que o investidor tem, nos fundos DI, uma rentabilidade atraente com o mínimo de risco.
A fuga do risco à procura de portos seguros, pelos investidores acossados pela crise global, é um fenômeno que se acentua mundialmente a cada dia, comenta Sá Pereira. O colapso econômico-financeiro da Rússia, seguido do calote, levou, primeiramente, à debandada de capitais dos países emergentes, um movimento que atingiu, mais recentemente, também os Estados Unidos, com a desconfiança sobre os fundos de hedge, após a quase bancarrota do Long-Term Capital Management (LTCM). É natural que os investidores se tornem mais cautelosos, porque a percepção de risco aumentou bastante.
O diretor da LAM prevê que as Bolsas permaneçam instáveis ainda por um bom tempo. Segundo ele, é possível que um acordo com o FMI proporcione temporariamente um clima de certa calmaria no mercado e favoreça uma valorização das ações no curto prazo, mas um investimento de médio prazo em ações exige cautela do investidor.
Um dos motivos é que o plano de ajuste fiscal em elaboração pelo governo conterá certamente medidas recessivas que vão afetar o lucro das empresas. A economia passará por um período recessivo no próximo ano. Daí por que o investidor deve avaliar as medidas embutidas no programa fiscal para saber em que medida afetarão o lucro das empresas e, portanto, a rentabilidade do investimento em ações. Uma das formas de reduzir a exposição ao risco seria optar por fundos menos lotados em ações.
Poupança Nas aplicações feitas nos primeiros dez dias deste mês, a caderneta de poupança vai pagar rendimento entre 1,18% e 1,48%, a ser creditado em novembro, na data de vencimento da conta. Para os depósitos desta semana, os porcentuais não devem ser muito diferentes. Essa rentabilidade é menor do que a das aplicações feitas na última semana de setembro, na casa de 1,80%, por conta do aumento do redutor que é aplicado sobre a taxa dos CDBs para definir o valor da TR, que remunera a caderneta. O redutor, de 1,04% no mês passado, foi elevado para 1,63% na virada de outubro, em razão da alta dos juros.
Os ganhos proporcionados pela caderneta, entre 1,18% e 1,48%, podem ser considerados bons, se se considerar a inflação, que está negativa. Mas, se comparada com outras aplicações de renda fixa, a caderneta está pagando a menor rentabilidade. O investidor pode receber remuneração maior, se aplicar o dinheiro nos fundos DI de 30 ou 60 dias.
A caderneta pode ficar mais competitiva, em relação aos títulos de renda fixa, quando for aprovado o aumento da CPMF, que atualmente está em 0,20% e pode ser esticada para 0,30% ou 0,50%.





