Fim das férias escolares de julho, as agências de turismo e operadoras declaram aberta a temporada de caça aos turistas. Uma enxurrada de pacotes promocionais e descontos começam a aparecer como opções de férias tranquilas e baratas, longe da agitação do período de alta temporada. As promoções e o investimento no turismo de negócios são as duas principais opções que as empresas do setor encontram para conseguir manter o faturamento estável. Mesmo assim, muitas enfrentam dificuldades com a queda de até 50% no número de pacotes vendidos.
A entressafra da indústria do turismo começa em agosto e vai até o final de novembro. Em dezembro, os operadores e agências já passam a contabilizar os lucros com as férias de verão até março. É um período prolongado de vendas em alta. De março a junho, o período é de nova redução nas vendas. O que salva muitas empresas são os feriados prolongados, quando os pacotes voltam a ter preços mais altos porque a procura aumenta.
Na mesma proporção em que se aproxima a alta temporada, desaparecem as promoções e cresce o faturamento das agências e operadoras. Para o turista, a melhor opção é fugir da alta temporada, garantindo uma viagem longe do tumulto dos aeroportos, dos hotéis e restaurantes superlotados. ‘‘Na baixa temporada, com certeza, o turista é melhor atendido nos lugares onde vai, pois é necessário cativar o visitante para que ele volte no próximo ano’’, conta o operador de turismo da Agência Avanuatur, Luciano Gusso, de Curitiba.
Os donos dos hotéis sabem que possuem um público fiel durante os meses de verão, férias escolares e feriados prolongados. Fora da temporada, a situação se inverte e é necessário fazer de tudo para conquistar a clientela. ‘‘Se você não tiver compromisso nessa época (baixa temporada), é vantagem fazer a viagem, pois vai receber melhor tratamento’’, aconselha o operador.
Gusso avalia que há uma queda média de 60% a 80% no número de passageiros, dependendo do local escolhido. A dona da agência de turismo Le Monde, Isabela Piá de Andrade, prefere não arriscar um palpite sobre a redução de clientela, mas concorda que a procura pelos pacotes diminui bastante para alguns pontos turísticos. Ela afirma que na baixa temporada o que se nota é uma alteração no perfil do turista. ‘‘Neste período, é mais difícil ter clientes que possuam filhos pequenos ou na idade escolar. Em compensação, aumenta o número de pessoas aposentadas ou pessoas que tiram férias entre agosto e novembro’’, afirma Isabela. Uma das estratégias da Le Monde é investir no turismo de negócios para manter o faturamento.
As promoções apresentadas pelas agências de turismo são definidas pelas operadoras, que acabam ditando as regras das promoções. A partir deste mês, a Soletur já comunicou às agências que tem preços promocionais com até 20% de desconto sobre o mês de julho. Outras operadoras garantem que é possível obter descontos de até 50%.
O assistente de operação da New Line Tour Operator, Fábio Serpa, diz que há pacotes pela metade do preço. ‘‘Podemos oferecer determinadas passagens de R$ 1,2 mil por R$ 600, na baixa temporada’’, assegura Serpa. Em pacotes para países da América Latina, a New Line oferece um parcelamento em três vezes sem cobrar juros, em agosto. Segundo o operador de turismo, Gilberto Piazetta, um turista pagaria R$ 1.113 para passar uma semana em Maceió, hospedando-se num hotel quatro estrelas. Em agosto, o mesmo pacote custa R$ 844, uma redução de 24%.Marcelo AlmeidaCliente especialLuciano Gusso, operador de viagem: ‘‘Turista é melhor atendido’’Carmem Murara

mockup