Apesar da chuva, um show de conhecimentos, muita troca de informações e ''ajustes'' de percepção sobre a tecnologia que cada agricultor está usando. O que muda de um ano para outro passa pelos dias de campo da Cooperativa Integrada.
O dia de campo deste ano, em Mauá da Serra, na sexta-feira, contou com agricultores, técnicos da pesquisa oficial e pelo menos 26 empresas de sementes, equipamentos, fertilizantes e defensivos, interessadas em fazer negócios e sobretudo apresentar e discutir tecnologias.
O cenário aprazível também sugere momentos de descontração e enseja troca de informações sobre mercado. Aqui todos concordam que a agricultura de grãos oleaginosos - quase todos - vive uma das melhores fases dos últimos anos e que o novo boom da soja veio para ficar pelo menos até a safra de 2004/05. Muitos analistas, porém, não estão totalmente certos disso. O ponto referencial na atual relação de câmbio são os US$ 5/bushell para a soja. Os agricultores acham que enquanto a Chicago se mantiver acima dessa marca, o lucro d soja estará garantido.
A região virou ponto de referência nacional, informa a Assessoria de Imprensa. A média de produtividade dos cooperados da região, muitas vezes chega a superar 9.000 kg/ha, bem acima da média nacional (3.387 kg/ha). ''Parte desse sucesso é fruto do investimentos em adubação e equipamentos agrícolas'', garante o Departamento Técnico da Integrada.
Foram apresentados híbridos de milho para safra verão, sendo vários deles com boa performance na safrinha. A Assessoria de Imprensa de Integrada estimou em 400 o número de participantes.
O coordenador técnico da Integrada se inspira na natureza para explicar tanto sucesso daqueles produtores profissionais: ''A altitude da região propicia uma diferença entre a temperatura diurna e noturna, que reduz a respiração das plantas. Assim, a planta economiza energia e as transforma em grãos'', diz o engenheiro agrônomo Irineu Baptista. Outros fatores ficam por conta da competência e do profissionalismo dos agricultores.
O Grupo de Desenvolvimento Técnico da cooperativa apresentou alguns trabalhos desenvolvidos em parceria com a Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e Fosfato (Potafos), em projetos de adubação. Enquanto em outras regiões é utilizado entre 500 e 800 kg/ha em adubação de base e cobertura, na região de Mauá da Serra esse volume chega a 2.000 kg/ha.
No caso da cultura do milho, nutrientes como nitrogênio, já podem estar no solo nos estágios iniciais do desenvolvimento, entre quatro e seis folhas por planta.
Essa é a época em que há maior retenção de nutrientes. ''A produtividade do milho é definida pela absorção de nitrogênio, seja no pré ou no pós plantio. Com 20 dias, o milho absorve sete vezes mais nitrogênio do que se a planta estiver com 30 dias'', diz o diretor da Potafos, Tsuioshi Yamada.
Outra novidade foi o ensaio apresentado pela Integrada com diferentes relações entre população e espaçamento no plantio do milho. Os espaçamentos utilizados foram de 80 cm (tradicional) e também com 50 cm, com populações variando entre 50, 60, e 70 mil plantas por hectare.
Os resultados finais desse trabalho ainda estão sendo tabulados, mas os números preliminares apresentados no evento são bem promissores. ''Por enquanto temos os dados de apenas um híbrido avaliado, com espaçamento de 50 centímetros e população de 60 mil plantas por hectare. Em comparação com a relação 80 cm/50 mil plantas, houve um aumento de 10% na produtividade'', anuncia o engenheiro agrônomo da Integrada de Mauá da Serra, Márcio Sasso.
Além de novidades na área técnica, os produtores de Mauá da Serra também investem em equipamentos para plantio direto, prática utilizada por todos os cooperados da região. Alguns deles praticam o PD há 30 anos.
Em colheitadeira foi apresentado o desempenho de uma máquina lançada ano passado pela John Deere, a STS 9750, maior modelo do mundo e fabricada em Horizontina. Foi adquirida pela família Komura.
A máquina foi utilizada em uma demonstração prática da colheita de feijão do Iapar. Ela possui um tanque graneleiro de 10.570 litros e consegue colher até 8000 mil sacas de grãos por dia e pode ser usada na colheita de milho, feijão, trigo e soja. Completa, o preço dessa colheitadeira ultrapassa R$ 600 mil reais.