Em meio às celebrações dos sete anos do Plano Real, na manhã de ontem, o governo deixou claro que vai colaborar diretamente para a superação da crise argentina em duas vias. A primeira, sinalizada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, será o ‘‘sacrifício’’ de setores atingidos pela recente medida adotada pelo país vizinho, que, ao reduzir as preferências aos produtos brasileiros deflagrou um conflito bilateral dentro do Mercosul. Anunciada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, a outra via será a contribuição do Brasil para um apoio internacional ao país vizinho.
Com essas mensagens, o governo tentou desmontar a versão de que o Brasil considera inevitável a quebra da Argentina e, portanto, torce para que esse desastre ocorra ainda neste ano – para evitar surpresas durante a corrida presidencial de 2002. Também pretendeu refazer sua imagem de colaborador na solução dos dilemas do seu principal sócio no Mercosul. As declarações anularam a estratégia anterior de confronto com a Argentina, por conta da publicação de uma resolução que reduziu a competitividade de produtos brasileiros dos setores de informática e telecomunicações, de bens de capital e automotivo. Entretanto, as negociações de temas comerciais de interesse de ambos os lados continuam suspensas.
‘‘Não é certo que o governo brasileiro está de braços cruzados, esperando a explosão’’, declarou Fernando Henrique, logo depois de frisar que está torcendo por uma solução para a crise argentina.
Na mesma linha, o ministro da Fazenda acentuou que o Brasil está empenhado em contribuir com a solução argentina para a crise. Igualmente tentou relativizar a existência de turbulências nas diferentes economias, ao argumentar que sempre haverá um país com maior ou menor dificuldade. Malan teve ainda o cuidado de mencionar dois outros países que enfrentam atualmente ‘‘problemas potenciais’’ – a Indonésia e a Turquia – antes de mencionar o ‘‘país vizinho’’.
Segundo Pedro Malan, o início do oitavo ano do Plano Real coincide com um período de adversidade. O ministro mencionou que, além das turbulências, o cenário de queda nas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos e da União Européia neste ano, como também de estagnação enfrentada pelo Japão nos últimos dez anos, deverá restringir a expansão do comércio e da atividade econômica mundiais.

mockup