Madri - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, em discurso ontem para cerca de 300 investidores na capital espanhola, criticou a nova abordagem mais restritiva das políticas do FMI e do governo americano na ajuda a países em crise. ''O pêndulo não deveria ter se movido tão longe na outra direção, que, eu acredito, tem sido a posição inicial da nova administração americana'', disse Malan, referindo-se à revisão da política do FMI e dos Estados Unidos de ajuda a países em dificuldades.
Malan disse que os resultados das ações do FMI nos últimos anos foram ''mistos'', com programas de apoio bem sucedidos em alguns países e performances insatisfatórias em outros casos. Segundo ele, na ótica do Tesouro norte-americano predomina a visão de que ''a era de pacotes de apoio internacional acabou e nós temos de achar novos caminhos de ajuda oficial aos países em dificuldade''.
Risco - O ministro reconheceu que há problemas de risco moral e sistêmico envolvidos nesse processo, mas ponderou que não há substituto, ''no final do jogo, para a consideração de situações específicas da cada País''.
''Eu acredito que esta discussão sobre um grandioso desenho para se criar novos mecanismos de reestrututação de dívida não é a melhor maneira para agir e pode levar a uma crescente redução dos fluxos de capitais para os países endividados, principalmente os mercados emergentes''.
Malan também voltou a cobrar ajuda internacional à Argentina. ''Eu acho que se o FMI tivesse destinado à Argentina não mais do que 10% do tempo, energia, talento e número de reuniões que foram dedicados para se tentar criar um novo esquema de mecanismo de reestruturação de dívidas, todos nós estaríamos num a situação melhor já há um tempo''.
O ministro disse que o FMI teria obtido um bom aprendizado ao tentar resolver o problema da Argentina utilizando-se de seus programas de ajuda mais tradicionais. ''Eu continuo tendo esperança de que 10% da concentração de corações e mentes que têm sido dada a esquemas grandiosos de reestruturaçaã de dívida seja alocada para se tentar resolver em termos operacionais completos os problema do nosso vizinho. Quanto antes melhor''.

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