Na Eslovênia, família aprender a cuidar sozinha da casa
A jornalista Paloma Varón e o marido, o oficial de chancelaria Bernardo Spinelli, vivem há mais de um ano uma realidade que parece impossível para uma parte das famílias brasileiras. Morando na cidade de Liubliana, capital da Eslovênia, eles cuidam da casa e das filhas Cecília, 6 anos e Clarice, 2 anos e 9 meses, sem qualquer ajuda de empregadas ou babás. A rotina não faz parte dos hábitos da classe média brasileira, mas é muito comum nos países da Europa.
Paloma conta que, quando morava no Brasil e não tinha filhos, costumava contar com a ajuda semanal ou quinzenal de uma diarista. Quando Cecília nasceu, ela contratou uma empregada que virou babá até a garotinha começar a frequentar a escola. ''Voltei a ter empregada quando minha segunda filha nasceu, mas não via com bons olhos a ideia de alguém dormindo na minha casa e fazendo tudo por mim ou pelo bebê'', conta.
Na Eslovênia, a rotina doméstica mudou bastante. ''Não temos nem faxineira, somos nós os responsáveis por tudo o que se refere às crianças e à casa. Aqui não existe o conceito de empregada doméstica, as eslovenas ficam até chocadas com o fato de alguém não preparar o seu próprio café da manhã ou de existirem serviçais para pessoas que não são incapazes'', compara.
As faxineiras, segundo ela, cobram por hora. ''Mas é tão caro que ninguém da classe média usa, não só pelo dinheiro mal gasto como pela falta de hábito, pois as famílias eslovenas estão acostumadas com a divisão do trabalho e os homens não se eximem da sua responsabilidade com casa e filhos'', conta.
Com os novos hábitos, Paloma aprendeu a cozinhar e, como trabalha em casa como freelancer, cuida da rotina doméstica. Bernardo passa muitas horas fora de casa, então, quando chega, dá banho nas filhas e executa tarefas como guardar a louça, estender ou dobrar roupas, limpar os espelhos e tirar o lixo.
Clarice e Cecília ficam na escola das 8h30 às 15h30 e podem ficar mais tempo quando há atividades extras ou em um esquema de creche pós-aula. A mãe conta que, para dar conta da rotina doméstica, aprendeu a eleger prioridades. Entre as tecnologias disponíveis para ajudar, eles possuem máquina de lavar louça e roupa. ''Facilita, mas não evita o trabalho de colocar e tirar as louças, tirar resto de comida, separar roupas por cor. As máquinas ajudam, mas o principal trabalho ainda é nosso.''
Mesmo com as dificuldades, Paloma não se imagina tendo uma empregada doméstica ou mesmo faxineira. As únicas profissionais que a família eventualmente contrata são as babysitters, que cobram por hora para ficar com as meninas quando o casal quer sair sozinho. ''Prefiro gastar o dinheiro de uma faxineira com viagens, passeios, coisas interessantes para nós. Apesar de às vezes ser cansativo, é uma sensação muito boa saber que você pode cuidar da sua própria casa e limpar sua própria sujeira.'' (C.A.)





