O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou o fechamento do Valor Bruto da Produção (VBP) de 2014 e, como aconteceu com outros índices do agronegócio divulgados pela pasta esta semana, o Paraná mais uma vez ficou na contramão do crescimento apresentado pelo País. Segundo o levantamento da Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério, o VBP nacional ficou em R$ 463,9 bilhões, uma leve alta de 2,6% em comparativo a 2013, quando fechou em R$ 452 bilhões. Já o Paraná sofreu retração de 6,6%, caindo de R$ 52,3 bilhões para R$ 48,8 bilhões.
Com relação ao valor da produção agropecuária nas regiões, o Sudeste ficou em primeiro lugar, com R$ 115,66 bilhões (queda de 3,2%), seguido pelo Sul, com R$ 112,9 bilhões (-5%). Em terceiro está o Centro-Oeste, com R$ 111,96 bilhões (+ 2%), seguido pelo Nordeste, com R$ 43 bilhões (+ 12,8%) e Norte, R$ 18,6 bilhões (-8,3%).
Nas lavouras, os produtos que apresentaram melhor desempenho (no que diz respeito a aumentos percentuais) foram a mamona (191,9%), pimenta do reino (35,2%), algodão (30%), café (17%), batata inglesa (15,8%), maçã (12,2%), mandioca (8%) e banana (7,3%). Os resultados devem-se a uma combinação de preços e, em certos casos, aumento de produção. Entre os produtos que tiveram redução no faturamento estão a cebola (-31,3%), cacau (-17,7%), trigo (-14,7%), cana-de-açúcar (-12,4%), feijão (-12,1%), laranja (-6,3) e milho (-6,3%). Nesses casos, houve a redução de preços dos produtos. Na pecuária, todos os resultados foram positivos e apontaram crescimento de 10,8% do valor em 2014. Os melhores saldos ocorreram em carne bovina (12,9%), carne de frango (12%), ovos (10,4%) e leite (8%).
No Paraná, os principais produtos agropecuários que alavancam o Estado tiveram retração do VBP. O principal deles, a soja sofreu queda de 12,3%, de R$ 16,2 bilhões para R$ 14,2 bilhões. Neste caso, a justificativa é bem conhecida: altas temperaturas em janeiro do ano passado, que refletiram em quebra de safra. "A produção paranaense retraiu 8% e a produtividade 12%, já os preços permaneceram similares", explica a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tânia Moreira.
Já no caso do milho, o VBP caiu 32,5%, de R$ 7,1 bilhões para R$ 4,7 bilhões. "A produção da 1ª safra paranaense retraiu 24%, perdendo área para a soja. Já a 2ª safra cresceu muito pouco, não conseguindo uma recuperação. Em relação aos preços, eles oscilaram bastante e não atingiram bons patamares", comenta a economista. No caso do trigo, houve aumento significativo do VBP, na ordem de 57,6%, atingindo a marca de R$ 2,75 bilhões. "Só o aumento de produção significativo justifica esse aumento do valor para o trigo. A área teve ótima recuperação para o plantio da cultura, na casa dos 36%".
Por fim, o feijão e o café - culturas tradicionais do Estado mas que passam por momento extramente complicado - tiveram os seguintes resultados de VBP: alta de 14% e queda 56%, respectivamente. "A justificativa para o aumento do VBP do feijão está balizado num aumento de 21% da 1ª safra e 18% na segunda, e nada mais. Os preços foram extramente ruins para os produtores, que recorrem ao pedido de auxílio para compra do governo federal. No caso do café, a produção caiu 66%, devido problemas climáticos, como geadas no Estado e temperaturas elevadas, o que impulsionou os preços", complementa a economista da Faep.

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