Na contramão do País, Paraná teve ampliação dos serviços em 2017
Pesquisa do IBGE também mostra que o Estado superou o Rio Grande do Sul em faturamento no setor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Pesquisa do IBGE também mostra que o Estado superou o Rio Grande do Sul em faturamento no setor
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Mesmo passada a recessão econômica, 23.118 empresas do setor de serviços não financeiros fecharam as portas no ano de 2017 no Brasil, segundo a PAS (Pesquisa Anual de Serviços), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (28). Ao todo, mais de 43 mil empregos foram perdidos no País. O Paraná foi no sentido contrário, criando 197 empresas e 12.123 empregos no setor naquele ano.
A receita bruta dos serviços em 2017 chegou a R$ 98,9 bilhões no Estado, representando 5,87% de tudo que o setor faturou no País (R$ 1,690 trilhão). O bom desempenho levou o Estado a ultrapassar o Rio Grande do Sul, chegando a quarta posição no ranking dos serviços no Brasil. Os gaúchos tiveram uma receita bruta de R$ 88,4 bilhões. Santa Catarina vem em sexto lugar com R$ 64,2 bilhões.

Três atividades responderam por 68% da receita bruta do setor no Paraná. Os serviços administrativos e complementares contribuíram com R$ 25,2 bilhões. Em segundo lugar, o transporte de carga teve faturamento de R$ 22,1 bilhões, e os serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) faturaram R$ 19,9 bilhões.
Dos 772.993 paranaenses que trabalhavam em atividades de serviços em 2017, a maior parte (35%) estava em serviços administrativos e complementares. O transporte rodoviário é o segundo que mais emprega (16,4%).Embora seja uma das atividades que mais faturam, os serviços de TIC só empregavam 3,6% da mão de obra do setor..
Segundo o economista, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci, muitos postos de trabalho fechados na indústria migraram para os serviços, especialmente com a criação de empresas de entregas para atender o aumento da demanda de compras pela internet. “Além disso, temos o setor de tecnologia da informação que é forte na cidade de Londrina e ajudou a melhorar este indicador.” Outro fator que colaborou com os serviços no Paraná, de acordo com Rambalducci, foi a disseminação dos MEIs (microempreendedores individuais), também em função da perda dos empregos da indústria.
CENÁRIO NACIONAL
A atividade de prestação de serviços não financeiros no Pais era exercida por 1,3 milhão de empresas ativas em 2017, responsáveis por ocupar 12,3 milhões de trabalhadores, que receberam R$ 336,7 bilhões em salários e outras remunerações. A receita operacional líquida totalizou R$ 1,5 trilhão, com geração de R$ 906,5 bilhões de valor adicionado bruto.
Quase um terço da receita foi obtida pelo segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (29,5% da receita total dos serviços). Os serviços profissionais, administrativos e complementares detiveram a segunda maior receita (26,2%). Os serviços de informação e comunicação detinham 22,5% da receita.
Apesar das demissões recentes, num período de dez anos, mais 3,3 milhões de trabalhadores passaram a atuar no setor de serviços não financeiros. No entanto, o salário médio recuou de 2,6 salários mínimos em 2008 para 2,2 salários mínimos em 2017.
Todas as atividades registraram redução na remuneração média dos empregados, com exceção dos serviços prestados às famílias, que mantiveram o patamar de 1,5 salário mínimo no período, a mais baixa entre os segmentos pesquisados.
O setor de serviços de informação e comunicação foi o que mais reduziu a remuneração dos trabalhadores em uma década: de 5,9 salários mínimos em 2008 para 4,6 salários mínimos em 2017.
A gerente de Análise e Disseminação da Coordenação de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE, Synthia Santana, explica que 2016 foi um ano difícil para a economia. Especificamente em relação ao setor de serviços, ela esclarece que são empresas que atendem outras empresas e famílias. “O setor de serviços abastece quem já estava em uma situação difícil em 2016. Por isso não consegue se recuperar em 2017. O que houve foi uma falta de demanda pela prestação de serviços”, disse.


